sábado, 17 de setembro de 2011

Giovanni Gallo, o Ítalo-Marajoara




Giovanni Gallo,
o Ítalo-Marajoara

Dizem que d'outro lado do Oceano
certo homem entusiasmado decidiu
deixar o seu aconchego italiano
em prol dos desassistidos do Brasil

E veio pros rumos de Cachoeira
do Arari, Jenipapo, Santa Cruz
pras ilhargas das ribanceiras
sem posto médico, telefone, luz

Padre da Ordem dos Jesuítas
na realidade vai ver e viver
dura realidade das Palafitas
sem água potável e pouco comer

Homem libertário e visionário
fez no sacerdócio linda missão
colégio que ia além do primário
e posto de saúde pra população

Perfil Libertário, carismático
fez com que sofresse retaliação
de governantes e eclesiásticos
nos anos de chumbo, de repressão

Tachado de religioso subversivo
como homem de ação, muito sonhar
fez acontecer dando incentivos
em projetos de interesse popular

O italiano religioso, teólogo
Giovanni Galo era pesquisador
grande fotógrafo e arqueólogo
um intelectual, poeta escritor

O HOMEM QUE IMPLODIU bem às claras
ORNAMENTAVA descrevendo o MARAJÓ
nos MOTIVOS DA CERÂMICA MARAJOARA
na DITADURA DA ÁGUA do rio e igapó

Por ali ele descobriu um segredo
o brasileiro é um povo particular
“tem olhos na pontinha dos dedos
porque tudo o que vê quer tocar”

Tendo em mente as pontas dos dedos
criou pro povo do campo, do igapó
um espaço como um grande brinquedo
lá no Arari, "O Museu do Marajó”

Museu recheado do puro carinho
retrata homem e mulher da região
aspectos da vida do ribeirinho
fazendas, pescaria, embarcação...

Retratando de um modo antológico
toques, olhares fabulosos e reais
o Museu é um achado arqueológico
das artes dos nossos ancestrais

Giovanni Gallo como um museólogo
navega na correnteza da Exposição
retratando como um leigo sociólogo
o Marajó no seu "Campo de Missão"

Guerreiro dos sonhos tão sonhados
inquieto desde os tempos de Turim
quando um dia recebeu seu chamado
ah, ele imediatamente disse sim

E dizendo sim pra QUEM o chamara
nunca imaginou que seu EIS-ME AQUI
seria pra ser um ÍTALO-MARAJOARA
Em Santa Cruz de Cachoeira do Ararí

Giovanni Gallo descreveu como poucos
lá pras bandas das ilhargas do Arari
os tantos valores do marajoara caboclo
inclusive na etimologia do nosso tupi

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

2 comentários:

Marli Braga disse...

E viva Giovanni Gallo na memória de todas as pessoas que realmente o conheceram e amaram e também na daqueles que fizeram de um tudo para tornar sua vida um verdadeiro pesadelo!
Parabéns tá lindo SEU POEMA!

Jetro Fagundes disse...

Obrigado minha querida amiga,
você sabe que o padre
Giovanni Gallo sempre viverá
na memória do povo que ele
preferencialmente amou.
Também sabes que ele
sempre estará presente
nos encantos dos sumanos
caboclos lá dos rumos
do Arari, onde um certo
Museu é um sonho pros
Marajoaras que tem olhos
nas pontas dos dedos