quinta-feira, 25 de março de 2010

Farinheiros


Valentes colona, colono
na melhor hora do sono
heroicamente vão
produzir pra tanta gente
algo que biblicamente
significa multiplicação.

Madrugada, noite adentro
ela e ele lá pro centro
da brenha rural
vivem a vida de roceiros
dedicando o tempo inteiro
a um penoso ritual.

Três ou quatro vezes
durante uns doze meses
eles vivem a capinar
vastas áreas de roçados.
Calos, enxadas, terçados
tão ai pra confirmar.

Verão, inverno, essa rotina
com a proteção divina
tem continuação
na mandioca arrancada
e em carroças transportada
à casa de produção.

Mandioca amolecida
é ralada e espremida
num tipiti artesanal.
Depois de ser torrada
surge aí a farinhada
alimento principal.

Roceiras e farinheiros
farinheiras e roceiros
que lá na brenha rural
num trabalho cansativo
quase zero lucrativo
vivem na exclusão total.

Produtos sem importância
custam uma exorbitância
e que nem trabalho dão
São bem mais valorizados
que a farinha do roçado
vida da irmã, do irmão.

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

4 comentários:

Diva disse...

Maravilhoso!!!Simplesmente lindo...Parabéns!É de extremo bom gosto sua poesia.

Sucesso amigo, que Deus te abençoe sempre.

Bjs

Jetro Fagundes disse...

Tenho orgulho de tudo isso ai

Jetro Fagundes disse...

Tenho orgulho de tudo isso ai

Raquel disse...

toda vez que leio esse poema,passa um filme na minha cabeça,relembrando minha adolescência...
vejo meu pai cheio de saude junto de minha mãe trabalhando com muita honra,fazendo a farinha nossa de cada dia.
um grande abraço poeta!!!