sábado, 10 de março de 2012

Mohandas Karamchand Ghandi. Porta-Voz da Humanidade







 

Mohandas Karamchand Ghandi
Porta-Voz da Humanidade

Por Jetro Fagundes(*)
I
Vento, inimigo dos tiranos
e de tudo o que existe de ruim
sopre lembranças de um Indiano
nascido na cidade de Bombaim

Tempos do colonianismo tirânico
a India não passava duma sucursal
do famigerado Império Britânico
e na base da prepotencia brutal

Formado em Direito na Inglaterra
vai deixar Londres, a capital
pra combater na India, sua terra
a prepotente britânica imperial

Homem que fazia da advocacia
aprendizado notório fraternal
diferente de muitos, hoje em dia
dentro ou fora de um tribunal

Na sua consciência transformadora
aos principios éticos foi fiel
Jamais defendeu a elite opressora
e nunca incriminou inocente réu

Tempos depois o advogado Indiano
que se preocupava com os comuns
vai rumar pro país Sul Africano
pra defender as minorias Hindus

Na África do Sul segregacionista
coloca em prática seus ideais
de ardente defensor pacifista
que luta pelos direitos iguais

Advogado idealista, militante
defendia sem apego ao vil metal
negros e seus irmãos imigrantes
do preconceito social e racial

Um dia ele volta novamente
pra India, a sua terra natal
onde vai lutar com sua gente
pela independência nacional

Vento, tu que és irmão valente
sabes o que Mahatma Ghandi fez?
Ele, calmamente, pacificamente
abalou o soberbo trono inglês

Homem valente revestido de calma
Líder Político e Espiritual
Mahatma significa “Grande Alma”
no Sâncrito também língua oficial

Na dura luta pela independência
utilizou com seu povo sofredor
interessante modo de resistência
um método diferente, inovador

Pra ver o seu país independente
Ghandi trilha o caminho da paz
mobilizando toda a sua gente
inclusive com retiros espirituais

A India de guerra, mas pacata
por um bom período pôde ver
a força do protesto, da passeata
da gente que mal tinha pra comer

Homem dos mais variados recursos
caminhou com a massa popular
por mais de trezentos kilômetros
em protesto numa marcha pro mar

I I

Amante da paz, da não violência
fez uso de greve de fome, jejuns
e estimulou civil desobediência
nos cidadãos mulçumanos e hindus

Líder de todo o povo indiano
conseguiu momentânea pacificação
entre os hindus e mulçumanos
na luta pela sonhada libertação

Cidadão das mais raras grandezas
estimulava na indignação da paz
desobediência às leis inglesas
boicote a seus produtos comerciais

Eita, meu lindo sumano Vento
Ghandi foi buscar na tradição
dois belíssimos ensinamentos
para reerguer a sua nação

Sua vida de absoluta santidade
gerava motivação, mobilização
Não violência, Firmeza da Verdade
contra a imperialista ocupação

Por isso que indianos sofredores
tomaram aquela consciência moral
que eram infinitamente superiores
a um império exportador do mal

Império monopolista e desumano
tão cruel exportador do mal
que proibia o povo indiano
de fabricar o seu próprio sal

É Ghandi quem toma a iniciativa
de chamar a consciência nacional
à desobediência ativa e passiva
na lendária marcha para o sal

Peitando o imperialismo bruto
se descobre, desobedecendo leis
que pode fabricar seu produto
e de quebra boicotar o inglês

Ghandi também foi aquele homem
que protestando contra a dominação
inovou chamando a greve de fome
de Jornada de Jejum e Meditação

Ele tinha o consciente juízo
que o Jejum causaria paralização
acarretando um enorme prejuízo
além de gerar desestabilização

Nas mais variadas localidades
a prática do Jejum e Meditação
paralizava todas as atividades
do operário ao importante artesão

Nunca nas histórias dos humanos
se viu protesto assim inovador
capaz de causar prejuízos, danos
a nojento ocupador, colonizador

Quando a segunda guerra é encerrada
a Inglaterra em péssima condição
permite que seja proclamada
a India como independente nação

No bojo da independência indiana
uma significativa parte da nação
adepta da religião mulçumana
dá origem ao país do Paquistão

I I I

Crítico da colonização inglesa
querendo evitar conflito crucial
Ghandi apóia a causa pasquistanesa
e é assassinado por hindu radical

Pouca gente no século passado
no apego pelos problemas sociais
teve um espírito tão elevado
como o de Ghandi, agente da paz

Vento, inimigo da desigualdade
bem pouca gente nesse mundão
teve assim tanta desintimidade
com o poder, dinheiro, ambição

Ghandi dos lindos pensamentos
combatendo império inglês atróz
ah, foi um dos raros momentos
que uma nação teve um porta voz

Conseguiu ver a India independente
conduzindo com perfeita devoção
políticamente, religiosamente
e em harmonia com a Tradição

Líder Carismático Revolucionário
admirado pela coragem, intrepidez
inclusive por líderes adversários
como Churchill, ministro inglês

Criador da Teoria da Relatividade
Einstein sobre Ghandi fez citação:
É um “Porta-Voz da Humanidade”.
não somente apenas de uma nação

Forte, apesar das fragilidades
sabia conter a ira santa civil
utilizando a arma da Verdade
como um inquestionável poderio
 
Vestes simples como as tuas, Vento
mantos tecidos pela própria mão
tinha tal forma de comportamento
que não dava chance à corrupção

Espírito elevado de ser humano
ele foi o maior influenciador
de Martin Luther King, americano
um homem que se chamava Pastor

Valente que nunca soltou um berro
era no controle absoluto das ações
capaz de ocupar estradas de ferro
e conduzir magníficas multidões

Ghandi nos deixou como herança
muitos pensamentos, citações
mensagens de vida, esperança
que nos são autênticas lições

Guerrilheiro das justas batalhas
dizia que o Amor e a Verdade são
como duas faces da mesma medalha
que não podem sofrer separação

O Amor, como um estado negativo
é um belo sentimento sem igual
é também um estado tão positivo
que consiste em amar quem faz mal

Ghandi dos sentimentos puros
respeitava culturas e religiões
sua casa sem cercas, sem muros
ah, era um centro de peregrinações

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Índia Tuíra




Índia Tuíra


Lá para as bandas de Altamira
a coragem inspirando indignação
desafia belo monte de mentira
construtora de leviana ambição

Filha da bravura indigenista
aprendeu com peixes e matagal
que o homem branco capitalista
é um destruidor em potencial

Ela sabe bem que a selvageria
tem tudo a vê com as irracionais
geradoras de mortes engenharias
vales das crateras ambientais

Tuíra de guerra é mulher menina

que combate toda espécie de mal
sua grande sina é desafiar a usina
belo monte, uma vergonha nacional

Menina linda que tanto se inspira
nas Águas do Xingu, mato, cipó
a corajosa, valente Índia Tuíra
é uma guerreira da Tribo Caiapó

I rmã dos Ventos, Filha do Mato
N ativa do Meio Ambiente Florestal

D ona da bravura, ela é de fato
I ndignada com o branco ingrato

A mbicioso, um predador, canibal


T uíra é linda menina sonhadora

U ma mulher guerreira, de ação

I ndia coragem, de fé é defensora

R evolucionária, grande protetora

A miga do Xingu nosso rio irmão


Jetro Fagundes

Farinheiro Marajoara

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Belo Monstro




Belo Monstro

B elo monte de injustiça
E xpoliação, degradação
L eviandade, vil, cobiça
O nde impera a ambição

M onte de peste, mortalha
O uvis o Ipiranga meu Brasil
N ão queremos que gentalha
Trapaceira, vilã, canalha
E xtermine o Xingu nosso rio

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Havana, linda menina



Havana, linda menina

Quem já foi a Havana, Cubana
histórica, tradicional, cultural
nunca esquecerá essa soberana
magnífica, monumental capital

Cidade da província de La Habana
tem um clima tropical de agradar
a monumental, histórica Havana
é influenciada pelo caribenho mar

Lugar das Colunas, dos Pilares
de importantes eventos culturais
Havana tem encantado os olhares
de poetas até de outros locais

Linda Havana recanto da cultura
que respira memórias de José Martí
é cheia de eclética arquitetura
quem vai ali não quer mais partir

Chamada de a Cidade das Colunas
por Alejo Carpentier, um escritor
Havana é uma educadora, aluna
que faz o seu dever com primor

Menina que desafiou o imperialismo
não tem problemas com desnutrição
eliminou o mal do analfabetismo
levando a sério a área da educação

Havana lembra a la querida e clara
La entrañable transparencia memorial
da presença do Comandante Guevara
cantado por Carlos Puebla imortal

Companheira da cantoria serena
de um Clube Buena Vista Social
e tem Diurnas Serenatas Pequenas
de Sílvio Rodriguez poeta genial

Cidade impressionante, envolvente
parada no tempo, mas dá para notar
que consegue unir passado e presente
cabeça erguida não pára de caminhar

Monumentos singelos e gigantescos
fizeram com que a Havana Capital
fosse um dia tombada pela UNESCO
como Patrimonio Histórico Mundial

Sua gente que ama a Salsa, o Mambo
vive a vida consciente a contemplar
a beleza de peitar dragões, rambos
e na base da resistencia popular

Capital da realidade nua e crua
é vítima de cruel embargo comercial
mas ali nenhum menino dorme na rua
e ninguém morre em filas de hospital

O seu povo hospitaleiro, animado
gente de elevado nível educacional
é consciente e altamente politizado
pena não ter vez na mídia global

Se ali existe alguém insatisfeito?
Claro, isso é algo pra lá de normal
Apesar de não ter sistema perfeito
é bem melhor que o capitalismo canibal

Cidade favorita de muitos turistas
Havana é centro de peregrinação
principalmente da gente socialista
que admira Cuba, a soberana nação

Em Havana você passeia, veraneia
com os ventos que vivem a costear
se esticando em kilômetros de areias
bem claras, com corais, no azul do mar

Perseguido pela besta do imperialismo
que promove terrorismos internacionais
este lugar busca saída no turismo
pra resolver os seus problemas sociais

Linda Havana da cultura, arquitetura
dizem que é impossível te esquecer.
Os que cantam tua histórica bravura
ah, juro que aprendem a te querer

Menina do encanto mais encantado
eu conheço tanta gente por aqui
que fica com os olhos marejados
cantando Hasta Siempre para ti

São pessoas que admiram tua beleza
teu carisma, tua coragem, determinação
admiram a dignidade, força, grandeza
da Ilha que não se curva ante o dragão

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

VALE, Nobel da Vergonha





V ale de lágrima medonha
A marga vilã mineradora
L evas Nobel da Vergonha
E mpresa perversa poluidora

V ale a pena ser mega empresa
A famada no mercado internacional
L ucrando destruindo a natureza
E stimulando a poluição ambiental?

D e nada vale ser endinheirada
O teu prestígio não vale nada

R ica empresa vale da faceta
I nimiga número um do planeta
O uro te faz ser vale das têtas

D evastadora de rios, de serras
O universo inteiro elegeu você
C omo a pior companhia da terra
E m função do teu amor pelo poder

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

BELO MONTE DE MENTIRA



Belo Monte de Mentira

B lefe programa energético
E enganoso é o teu projetar
L eviano, trágico, patético
O bjetivas inundar, devastar

M onte de levianas incertezas
O s que amam o Xingu, rio irmão
N ão aceitam que megas empresas
T ragam danos à mãe natureza
E ncantada fonte de alimentação

D eixem o Xingu produzindo comida
E le precisa de paz pra gerar vida

M atam um rio de forma indecente
E m nome do desenvolvimento nacional
N unca porém falam pra nossa gente
T udo o que certo Vale gerador do mal
I ntenta fazer com sua mente doente
R epresando fome, matando nascentes
A mbiciosa amiga do vil capital

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Xingu Vivo





X avantes e tantas etnias
I ndignados dizem à nação
N ão às covardes tiranias
G eradoras de sujas energias
U sinas de morte, inundação

V ozes ribeirinhas e correntezas
I nquietas pedem à você
V enha defender a natureza
O rio Xingu precisa viver


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Geraldo Vandré. Pra Não Dizer Que Não Falei Dum Poeta


Geraldo Vandré
Pra Não Dizer Que Não Falei Dum Poeta

Um Nordestino, Paraibano Menino
Militante do Movimento Estudantil
ele simplesmente compôs um hino
cantarolado por toda Sociedade Civíl

Lá um dia esse poeta cancioneiro
depois de formado advogado doutor
continua vivendo no Rio de Janeiro
como popular compositor, cantador

o Menino praquelas sudestes bandas
conhece Carlos Lyra, grande cantor
com quem parceiriza canções "Aruanda"
também "Quem Quiser Encontrar o Amor"

Sessenta e quatro, inesquecível ano
começo das noites e dias de breus
o tal Menino Cancioneiro Paraibano
grava entre tantas "Fica Mal com Deus"

Em sessenta e seis, com povo na rua
e num Festival de Música Popular
Disparada, uma belíssima cantiga sua
consegue arrebatar o primeiro lugar

Alí, em singelo recado à quartelada
e à quem lutava contra a repressão
diz que veio do Sertão em "Disparada"
e aprendeu muito bem a "Dizer Não"

E Jair Rodrigues até se emocionava
cantando "Eu Não Canto Pra Enganar"
e o povão no Festival se levantava
completando "Posso Não Lhe Agradar"

Em Sessenta e oito, com uma voz rouca
o Menino Paraibano faz todo o povão
cantar contra a dita quartelada louca
caminhando, cantando, seguindo a canção

E Geraldo Vandré, menino inspirado
cantando, sugeria uma linda opção
contra os fuzis do regime fardado
oferecia Revolucionária Flor na Mão

Cantiga pacifista das mais serenas
a mais libertária que já se produziu,
Vandré, utilizando dois acordes apenas,
respondia às baionetas, ao fuzil

Sem as complicadas notas dissonantes
essa canção se tornou a predileção
principalmente de cantadores iniciantes
que abraçam um companheiro Violão

Em Mi Menor, Ré Maior, facilitados
o Violão de iniciante ou profissional
fez com que essa canção por todo lado
fosse cantada como um Hino Nacional

E a letra do Paraibano Cancioneiro
dizendo que todos nós somos iguais
era cantada por inúmeros companheiros
inclusive lá nas Bases Pastorais

Nelson Rodrigues disse com clareza
em artigo que poucas vezes ele viu
uma Marselhesa tão pouco Marselhesa
num solo violentado, nosso Brasil

Embora não tenha sido a vencedora
do Festival Internacional da Canção
essa Cantiga por ser tão arrebatadora
foi a Primeira Colocada para o Povão

É claro que essa cantoria de vida
cantada inclusive em missas e funerais
acabou sendo censurada, proibida
pela implacável fúria dos generais

Nos tempos de selvageria, violência
exílio, porão, torturadores, prisão...
esse Hino incitava o Povo à Resistência
Caminhando, Cantando, Seguindo a Canção

Canção que além de ter bela melodia
e seus versos de fáceis memorização
ah, é um tratado de verdadeira Poesia
e na linguagem falada pela multidão

Grande Vandré Companheiro, Camarada
a tua cantiga de luta, de encorajar
entoada por Estudante Cara Pintada
também foi o Hino das Diretas Já

Aqueles que realmente amam a poesia
sabem que poeta poema pra quem quiser.
Sem compromisso com Igreja, Ideologia...
Canta pra flor, pro amor, pra mulher...

Um poeta cantoreia com a Consciência
ética plena do seu soberano ser
e deve ter irrestrita independência
pra agir de acordo com o seu querer

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores
simplesmente quer queiram, quer não
além de derrubar golpistas ditadores
ainda incomoda o latifundio, o patrão

Ah, todas e Todos que amam a magia
da Cantoria de Amor, Paz, Indignação
torcem para que Vandré retorne um dia
Pois tem lugar cativo em cada coração

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Belém, Princesa Flor do Grão Pará




Belém,

Princesa Flor do Grão Pará

I

Belém cidade que a todos fascina
as águas do rio Guamá, do Guajará
dizem que ela é aquela menina
linda Princesa Flor do Grão Pará

Desde os tempos de Brasil colônia
essa nossa Guajarina Princesa Flor
Sempre foi a Metrópole da Amazônia
com seu imenso coração acolhedor

Cidade das mais belas Tacacazeiras
ah, como é gostoso passear, caminhar
pelos serenos túneis de mangueiras
vendo e ouvindo passarinhada cantar

Belém dos solares e das serenatas
radiante é ver o sorriso de Fafá
ah, que saudades do Poeta Rui Barata
Maestro Waldemar Henrique Tambatajá

Cidade de um arborizado espaço
o importante Emílio Goeld Museu
conserva nos seus verdes traços
parte daquilo que Deus nos deu

E o Museu que fica bem na divisa
da paz com a importância ambiental
tem sido como Instituto de Pesquisa
Centro de referência internacional

Aqui, tem outro lugar específico
de Zoo-Jardim Botânico Municipal
é um belíssimo espaço científico
e respeitada Reserva Florestal

Bosque Rodrigues Alves sinfonia
na beleza de um Parque Natural
onde pesquisa e lazer em harmonia
convivem bem no centro da Capital

Espírito Cabano, coração aceso
inspirada pelos Ventos do bem
Belém vive vendo o valor do Peso
que cada um dos seus sumanos tem

Ah, Ver-O-Peso do Livre Pescado
Camarão, Frutas, Erva Medicinal
em Stands dos Sonhos Vivo Mercado
Patrimônio Histórico Internacional

Ver-O-Peso vislumbra as massas
velas, geleiras, farinha, tipití
frente um lindo Relógio na Praça
que tudo registra na Feira do Açaí

Ver-O-Rio vive vendo a verdura
a Tainha, Pratiqueira, o Mapará
e vê as diversidades de culturas
do nosso País que é chamado Pará

Belém amiga das Águas, dos Ventos
como palco foi Testemunha Ocular
de um dos mais belos movimentos
na bravura da indignação Popular

CABANOS, Caboclos, gente do Mato
lá dos Tapuiúis, das Cabanas, sim
Indignados tomam o poder de fato
comandados por Vinagre e Angelim

Bela Belém minha Capital Cabana
teus pratos de maniçoba e vatapá
dizem que tua estrela soberana
brilha tanto quanto àquela de Judá

Eita Flor menina, belíssima morena
das paixões fiéis no Souza, Curuzu
dos Fenômenos lá na Antonio Baena
Tuna Luso, Clube do Remo, Paysandu


I I

Cidade onde um padre abençoado
faz trabalho santo, libertador
Bruno Sequi do Menor Abandonado
da República do Pequeno Vendedor

Morena linda cheia dos encantos
Belém tem um certo ar arrebatador
nas esquinas dos versos, nos cantos
nas praças onde se proseia o amor

Cidade das acolhidas mais belas
cada casa parece pousada, pensão
parecendo ter mil e uma janelas
ar-condicionadas pelo Vento irmão

Vento Norte Guajarino tão Singelo
que cumpre muito bem sua missão
tal como o lindo Forte do Castelo
guardião e uma fonte de inspiração

E esse Vento que conta muitos causos
nas horas de bonança ou temporais
das Artes, lendas, mitos, aplausos
no breviário do seu Teatro da Paz

Conta dos Ceramistas, santos oleiros
que fazem e acontecem no Paracurí
bem pertinho da praia do Outeiro
da água de Coco na linda Icoaraci

Belém dos encantos mais encantados
tem um lugar gostoso pra se banhar
Mosqueiro onde o Chapéu é Virado
pros rumos do Marajó, irmão do mar

Nas Praias de Mosqueiro você delira
se banhando em Carananduba, no Farol
no Ariramba, Marahú, Bispo, Murubira
e vê o Amor do Luar com a Baía do Sol

Ah, Belém menina, morena bela sumana
é impossível não se apaixonar por ti
pois sei que tens corajosa alma cabana
e a beleza das Mangueiras, do Açaí

Cidade que vive a vida nos encantando
cada mangueira é fonte de inspiração
às folhas que caem como que dançando
colorindo encarpetando o nosso chão

Sem o IDH de certos planaltos urbanos
os teus Ventos te deram em compensação
o DNA do Coração sentimental humano
sem discriminar quem vem morar no teu chão

Belém é uma Flor Singela da Natureza
cuja beleza em parte vem de um pessoal
que longe daquela mania de grandeza,
tem a maior riqueza: o calor fraternal

Ah, Belém, Flor Singela, cidade minha
os teus poetas sempre te cantarolarão
nas esquinas das chuvas, tardezinhas
no Ver-O-Sol da manhã que se faz verão

Aqui pela vontade imensa e soberana
do povo que sofre todo tipo de perseguição
nossa ALDEIA sempre será chamada CABANA
em respeito a um Verdadeiro Cidadão

Cidade de um coração hospitaleiro
tem gente do baixo amazonas e do sal
que deseja um Pará Unido, Inteiro
desenvolvido, e com Justiça Social

Por aqui cada Avermelhada Bandeira
que identifica o Parauara nosso Açaí
deseja ver nossa Terra Unida, Inteira
do Amazonas até os rumos do Gurupí


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Belém, Princesa Flor do Grão Pará I I







Belém,

Princesa Flor do Grão Pará

I I

Cidade onde um padre abençoado
faz trabalho santo, libertador
Bruno Sequi do Menor Abandonado
da República do Pequeno Vendedor

Morena linda cheia dos encantos
Belém tem um certo ar arrebatador
nas esquinas dos versos, nos cantos
nas praças onde se proseia o amor

Cidade das acolhidas mais belas
cada casa parece pousada, pensão
parecendo ter mil e uma janelas
ar-condicionadas pelo Vento irmão

Vento Norte Guajarino tão Singelo
que cumpre muito bem sua missão
tal como o lindo Forte do Castelo
guardião e uma fonte de inspiração

E esse Vento que conta muitos causos
nas horas de bonança ou temporais
das Artes, lendas, mitos, aplausos
no breviário do seu Teatro da Paz

Conta dos Ceramistas, santos oleiros
que fazem e acontecem no Paracurí
bem pertinho da praia do Outeiro
da água de Côco na linda Icoarací

Belém dos encantos mais encantados
tem um lugar gostoso pra se banhar
Mosqueiro onde o Chapéu é Virado
pros rumos do Marajó, irmão do mar

Nas Praias de Mosqueiro você delira
se banhando em Carananduba, no Farol
no Ariramba, Marahú, Bispo, Murubira
e vê o Amor do Luar com a Baía do Sol

Ah, Belém menina, morena bela sumana
é impossível não se apaixonar por ti
pois sei que tens corajosa alma cabana
e a beleza das Mangueiras, do Açaí

Cidade que vive a vida nos encantando
cada mangueira é fonte de inspiração
às folhas que caem como que dançando
colorindo encarpetando o nosso chão

Sem o IDH de certos planaltos urbanos
os teus Ventos te deram em compensação
o DNA do Coração sentimental humano
sem discriminar quem vem morar no teu chão

Belém é uma Flor Singela da Natureza
cuja beleza em parte vem de um pessoal
que longe daquela mania de grandeza,
tem a maior riqueza: o calor fraternal

Ah, Belém, Flor Singela, cidade minha
os teus poetas sempre te cantarolarão
nas esquinas das chuvas, tardezinhas
no Ver-O-Sol da manhã que se faz verão

Aqui pela vontade imensa e soberana
do povo que sofre todo tipo de perseguição
nossa ALDEIA sempre será chamada CABANA
em respeito a um Verdadeiro Cidadão

Cidade de um coração hospitaleiro
tem gente do baixo amazonas e do sal
que deseja um Pará Unido, Inteiro
desenvolvido, e com Justiça Social

Por aqui cada Avermelhada Bandeira
que identifica o Parauara nosso Açaí
deseja ver nossa Terra Unida, Inteira
do Amazonas até os rumos do Gurupí

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Museu do Marajó dos Motivos Encantados






Museu do Marajó
dos Motivos Encantados

Pense num espaço que foi criado
para que se aguce a imaginação
de quem tendo dedos delicados
enxerga com o olhar do coração

Espaço para expor a regionalidade
o Museu do Marajó é um lugar
onde você fica super à vontade
com liberdade de poder tudo tocar

Giovanni Gallo, padre visionário
cria esse Museu com a pretensão
de unir num espaço comunitário
a ciência, a arte e a imaginação

Vasto acervo de enorme significado
preciosidades das artes manuais
heranças dos queridos antepassados
pais dos artistas populares atuais

Lugar em que se promove, valoriza
as artes dessa amazônica região
mostra relíquias, peças interativas
aguçando o curioso toque da mão

Desenvolvido para quem é amante
da arqueologia e valores culturais
o museu interage com o visitante
que busca pesquisar cada vez mais

Vasos, jarros, estatuetas, potes...
cachimbos, cuias, urnas funerais
memórias dos primitivos do norte
natos artistas, fabulosos, geniais

Valores culturais santos achados
nas fazendas, lagos, rios, igapós
e que foram doados de bom grados
ao acervo do Museu dos Marajós

Acervos dos mais requintados toques
que sem o Museu do Marajó, no Arari
estariam certamente em Nova Iorque
Londres, Paris, Amsterdam, Madri

Nesse Museu você também se depara
com tantas obras de artes magistrais
de Sumanas e Sumanos Marajoaras
lindos artistas populares locais

Pra nós é o Museu mais lindo do mundo
pois tudo o que se vê em exposição
nos transporta ao íntimo, profundo
da beleza da reflexão, contemplação

Em meio às Cerâmicas e Cestarias
dos motivos ancestrais e atuais
ah, você sonha pescando sabedoria
e brinca como nos lindos arraiais

E por ali, pescando conhecimento
você descobre que o Marajoara Museu
além da pesquisa e do divertimento
como escola é um verdadeiro Liceu

Liceu dos aprendizados encantadores
patrimônio dos caboclos brincalhões
que improvisam simples computadores
com perguntas, charadas, adivinhações

Por ali o idioma mais pronunciado
tá longe de ser o intruso português
é o Tupi dos nossos antepassados
língua sumana do popular caboclês

Ali o dicionário da vergonha branca
diz que o racismo continua sendo normal
mas um dia a inteligência ainda desbanca
o preconceito que precisa ter um final

Museu das exposições mais belas
onde um público cativo bem fiel
Lembra o Nazo rodando a manivela
das Toadas pras Estrelas lá do Céu

Ali você vive uma fantástica viagem
navegando nos fragmentos da emoção
de cada dedo que toca a arte, a imagem
no olhar Clínico da alma, do coração

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Açaí, Sabor Amazônico, Parauara, Marajoara


O Açaí,
Sabor Amazônico, Parauara, Marajoara

Lá no centro das brenhas das matas
nas beiras de rios, muitos quintais
ele vem em paneiros, sacas, latas
pra ser um dos alimentos principais

Orgulho do povão amazônico nativo
Euterpe oleracea, o conhecido Açaí
é um fruto de grande poder nutritivo
de suma importância pra gente daqui



O Açaí, com os auxílios da Peconha,
um cinto de fibra posto nos pés,
é extraído por essa gente que sonha
e trabalha junto a rios, igarapés

Peconheiros, peconheiras almas puras
gente que sobe lá inriba pra apanhá
em quinze, vinte metros de altura
i u aperpara em batedêra ou aguidá


Saboreado com Farinha de Mandioca
o Vinho do Açaí, santa alimentação
também é muito apreciado com Tapioca
isso vareia, vai do gosto do povão

o Sumano Açaí, pão nosso de cada dia
de muitos lares da cidade e interior
em tantas lanchonetes e academias
já vê reconhecido o seu real valor


Alimento importante sempre presente
na vida da nossa marajoara região
principalmente na mesa do carente
onde é praticamente uma obrigação


O que temos da mais absoluta certeza
é que esse Fruto, pra lá de especial
presente de Deus, dádiva da Natureza
é riquíssimo no seu poder nutricional

Mas houve tempo que o capital maldito
quase leva o nosso Açaí à extinção
em insanos cinco centavos por um palmito
por puro capricho da patroa do patrão

Gente insana estrangeira, forasteira
mente doentia de longe, dos cafundós
estimulando assassinatos das Palmeiras
sonegam a benção que Deus deu à nós


Por outro lado, palmito é um enlatado
que além de ser inimigo do matagal
faz muito mal à saude, e tá comprovado
pois é conservado à base de água e sal

Palmitos enlatados significa matança
indiscriminada de palmeiras divinais
fonte alimentar do adulto, da criança
das tigelas, batedeiras, dos aguidás





E quando um Açaizeiro é assassinado
seja por festa junina ou por palmital
tá se cometendo um grande atentado
comunitário, humanitário e ambiental

E hoje em dia inúmeras comunidades
dos Arraiais Marajoaras à Inhangapi
reverenciam em bonitas festividades
o precioso, delicioso querido Açaí

Comunidades, Cidades queridas belas
que dão valor ao ouro negro daqui
apreciado em copos, pratos, tigelas
e eu já vi até em cascos de Jabuti

Hoje, ele atravessa os sete mares
inclusive os das salas laboratoriais
combatendo doenças cardiovasculares
com fibras, cálcio, sais minerais

Excelente energético, ah, que beleza
Açaí reforça a saúde física e mental
por ser a fruta mais rica da natureza
com justiça ganha fama internacional

Euterpe oleracea, o Açaí ou Juçara
se faz Vinho, Sorvete, geléia, mingau
Sabor Amazônico, Parauara, Marajoara
é do mais perfeito manejo florestal

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Baía do Marajó, o Mar dos Marajoaras






Baía do Marajó
O Mar dos Marajoaras

Menina dos misteriosos encantos
os que não conhecem o seu mar
dizem que cria espanto, pranto
aos que vivem a lhe atravessar

Mas quem atravessa a nossa Baía
pra todo o sempre se inundará
em lembranças na maré da poesia
no Estuário do famoso rio Pará

E a Baía das maresias marajoara
nunca pensa em fazer mal a ninguém
sua correnteza aproxima e separa
o Marajó das quebradas de Belém

Um Mar de água pra lá de imenso
local onde é comum se avistar
movimento de navegação intenso
barcos indo e vindo sem parar

Irmã de quem exerce praticagem
à bombordo, à boreste do Timão
da pequena à grande cabotagem
companheira da sumana embarcação

Menina das correntes marítimas
nossa Baía respeitada sim senhor
é guardiã, legendária, legítima
do vento que do Marajó é tradutor

É por lá que se guarda um segredo
a sete chaves, e na palma do Timão:
"É preciso atravessá-la sem medo
e navegando com Deus no Coração"

Quem não conhece as suas magias
e a atravessa sem sua permissão
ainda mais se for durante o dia
vai ver o peso de muita aflição

Dama encantada que nunca cansa
de inspirar e transpirar canção
ela somente oferece segurança
aos apaixonados pela navegação

Os que a atravessam de madrugada
na santa calmaria dão a entender:
A Natureza tem que ser respeitada,
pois é obra do Deus que tem Poder

Por ali a Natureza sempre insiste
deixar claro ao banzeiro agitador
que o Deus da Vida de fato existe
e protege passageiro e navegador

E quem ali avista só Céu e Água
desejando ficar com limpo coração
deixa que a maré leve as mágoas
direto às ribanceiras do perdão

Nas cantorias, nas mil e uma preces
de quem te atravessa cedo, manhã
ah, linda Baía ninguém te esquece
navegantes, balsa, canoa, catamarã

Companheira sumana minha, me perdoa
tu que sempre me tratastes com amor
eu sei que abandonei as tuas canoas
mas farinhando continuo um navegador

Eu que nunca passei por ti sozinho
o Deus da Vida nunca me deixou só
sabe que te relembro com carinho
Baía querida do teu povo, o Marajó

Cada Boto que em tua maré mergulha
até o dia do infinito cantarolará
"o Povo Marajoara tanto se orgulha
de pertencer a um País Chamado Pará"

Por ali onde os Ventos fazem versos
a Maresia vive sempre a se encantar
com o mais lindo romance do universo:
o do Sol com menina chamada Luar

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara