domingo, 27 de junho de 2010

Ana Mel


Ana Mel

A Amiga da Comunidade


Sinto saudades de você amiga
quando escuto algumas cantigas
na casa do meu camarada Natã
o teu amigo, companheiro e fã

E quando falamos de ACADEPÊ
todas as violas tocam por você
lembrando os tempos de alegria
da nossa Academia de Periferia

Os teus gestos de solidariedade
fazem muita falta na comunidade
nas mais belas das maravilhas:
As ações de vida, amor e partilha

Ninguém esquece a socialista
hospitaleira da João Batista
dando abrigo aos amigos de fé,
se doando desde a hora do café

Você nos lembra a linda brisa
aliviando a dor de quem precisa
de uma palavra amiga, uma canção
ou até mesmo dum pedaço de pão

A tua voz doce, serena, bonita
fez de você a menina favorita
e musa dos amigos verdadeiros
que amam as violas e tabuleiros

Fique sabendo companheira minha
que além de musa tu és a rainha
de todos os tabuleiros de xadrez
fãs, admiradores da tua altivez

E todos os teu fãs, admiradores
ja sabem que tu rendes louvores
ao Deus Eterno, o Senhor da Vida
o protetor de uma gente excluída

Amiga dos sem terra e sem estudo
você que sempre dá jeito pra tudo
continue sendo essa missionária
transformadora, linda libertária

Que você seja a mulher mais feliz
em Ananin, Belém, Caienna ou París.
E é desejo dos companheiros teus
que sempre cantes ao senhor teu Deus

Nunca deixes de ser a auxiliadora
irmã que leva na fé libertadora
uma visão de que bondade e caridade
identificam uma Cristã de verdade

Nunca, jamais deixes a caminhada.
Persevere cada vez mais encantada
sem dar a mínima pra hipocrisia
de quem nem liga pra cidadania

Quando poderes companheira minha
venha cantar uma daquelas modinhas
das belas Rodas de Comunidades
pois as Violas morrem de saudades


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Castanholando Na Espanha


Castanholando Na Espanha


Amiga que também barcarola
Admirando as cordas da Viola
Que vibram somente pra ti
Vem comigo ver as castanholas
onde as mais belas espanholas
Posavam pra Picasso e Dali

Tirarei das páginas da memória
Algumas das muitas histórias
Que se contam lá e aqui
Coisas lindas, tão deslumbrantes
Que remontam Miguel de Cervantes
e bravos resistentes de Madri

Falarei de Dolores La Pasionária
Fabulosa musa revolucionária
que os ventos irmãos meus
dizem que vive ainda na Espanha
lá pro rumo da basca montanha
nas cordilheiras dos Pirineus

Vem que mostrarei as maravilhas
só vistas em Málaga e em Sevilha
que nos enchem de admiração.
Verás também a linda Barcelona
a Catalã capital que impressiona
seu povo e visitante cidadão

E nós iremos ver a pura essência
das FALLAS Culturais de Valência
cidade em que podemos encontrar
o mais lindo aquário do mundo
que no fundo, bem lá no fundo
foi construído para teu olhar

Quando a gente for ver a tourada
direi numa arena, arquibancada
que a mais linda dali é você.
E nesse dia, meu lindo tesouro
juro pelos perseguidos touros
que o toureiro vai se vê

Venha linda menina encantada
vem comigo passar uma temporada
Confabulando sem parar
na terra amiga da Latina América
a predestinada Península Ibérica
onde a vida é castanholar


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 9 de junho de 2010

LINDA COMO A FLOR DO MANDACARU



LINDA COMO A FLOR DO MANDACARU


Menina amiga maravilhosa
quem te fez tão linda assim ?
Será que foi uma rosa
do mais encantado jardim.

Quem sabe se não foi a magia
contida numa doce canção
que faz com que nasça o dia
nas noites de pura solidão

Ou será que foi a beleza
de uma cantoria de amor
tocada com toda delicadeza
pro teu sorriso encantador?

Quem sabe se não foi a magia
dos remansos do meu rio mar
que pororocando sinfonias
toca pra esse teu lindo olhar

Talvez tenha sido a primavera
que te fez tão linda assim
pra que uns versos de espera
tu composse somente pra mim

Ah, minha meiga linda amiga
dessas coisas não sei dizer.
Eu só sei que minha cantiga
hoje faço somente pra você

Hoje todos os meus versos
vão rumando tua direção
Só te imploro, cá te peço
guarde-os no teu coração

E que sejas a encantada
que inspira o Uirapuru
a cantar pra delicada
Linda Flor do Mandacaru


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Chico Mendes


Chico Mendes

Precursor Dos Debates Ambientais

I

Vento, grande mano consciente
defensor do rio, do matagal
lembro o companheiro valente
precursor do debate ambiental

Em plena época da ditadura
contra o patrão do capataz
surge uma voz serena e dura
protegendo os manos seringais

Chico Mendes Filho da Floresta
corajoso, guerreiro sindical,
era liderança honrada, honesta
que defendia trabalhador rural

Sua alma socialista, igualitária
dava-lhe a convicção total
de que só uma reforma agrária
promoveria a justiça social

Exemplo de líder sindicalista
Chico Mendes foi parceiro amigão
dos conselhos indígenistas
e do querido ribeirinho irmão

Defensor amigo, formidável
da mãe terra, o sagrado chão
do desenvolvimento sustentável
meio ambiente, conscientização

Como trabalhador extrativista
tinha grandiosa preocupação,
enquanto líder sindicalista,
com desmatamento, devastação

O guerreiro líder verdadeiro
chamou a atenção internacional
para o drama dos seringueiros
e de todo ecossistema natural

Ardente defensor da natureza
junto a trabalhadores rurais
inventou métodos de defesas,
técnicas de EMPATES, corporais

Vento, diga o que é um EMPATE
na pura linguagem ambiental
- Empate é ser martir nos embates
defendendo reserva florestal


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Chico Mendes


Chico Mendes

Precursor Dos Debates Ambientais

II

Chico e as manas Castanheiras
velhos, crianças, gente de ação
abraçavam-se às seringueiras,
lhes davam inteira proteção

E por ter sido valente, ousado
contra o sistema irracional
foi torturado e enquadrado
na lei de segurança nacional

Sofreu calúnia e injustiça
poderosa, covarde retaliação
da parte de agentes da cobiça
que mandam e desmandam na nação

Grupos fazendeiros, madeireiros
grileiros, a oligarquia atroz
ameaçavam matar o seringueiro
tentando amordaçar a sua voz

E por ter permanecido ousado
um dia esse líder trabalhador
foi atocaiado, emboscado
pelo sistema covarde, matador

Até mesmo o Riacho Ipiranga
e o verde e amarelo nacional
choraram quando alguns capangas
assassinaram o líder sindical

O seu sangue hoje fertiliza
o solo do coração dum irmão
que encorajado pela brisa
luta até nos mares do Japão

Sua voz singela e libertária
do Acre, da Brasiléia, do Xapuri
criou consciência planetária
que sempre ecoará aqui e ali

E ecoa em todos que tem sede
e fome de algo fundamental:
uma justiça voltada pro Verde
na Paz do Ecossistema natural

A voz do valente Chico Mendes
ecoa alem do infinito sideral,
lá na alma de quem nunca se vende
ao perverso capitalismo canibal


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Madre Teresa de Calcutá



Madre Teresa de Calcutá

A Santa das Sargetas

I

Vento mano do rio, da mata
e de quem navega a cantar
sopre as lembranças da beata,
uma santa mulher de Calcutá

Agnes Bojaxhiu, madre Teresa
no olhar da fé fez profissão
de cuidar com amor e pureza
daquele que vive na exclusão

Albaneza de origem Macedônia
foi pra Índia cuidar do povão
com um amor que só a amazônia
consegue imaginar a vastidão

Teresa de ação, idealizadora
ela, sendo ainda uma aprendiz
se torna santa alfabetizadora
das pobres crianças do país

Pastora do irmão necessitado
madre que na ação do partilhar
lembrava o Cristo Ressuscitado
pescando e ensinando a pescar

Missionária, guerreira linda
fazia uma atividade social
que a deixava mais linda ainda:
"Sem um centavo governamental"

Vento, meu irmão tempestuoso
sei no teu dom da compaixão
tu banharias um homem leproso
sem querer em troca um tostão

Criançada, juventude e idosos
tem muitas histórias pra contar
da Santa que banhava leprosos
nas Sargetas lá de Calcutá

Viúvas, aleijados de muletas
sem tetos, gente sem hospital
lembram a santa das sarjetas
menina do sorriso angelical

Fantástica menina Carismática
que com Fé no Deus Libertador
pelas ruas colocou em prática
o Ágape, Dom Supremo do Amor


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Madre Teresa de Calcutá


Madre Teresa de Calcutá
A Santa das Sargetas

II

Vento que rompe estruturas
ja dissestes pro meu violão
que um sorriso salva e cura
dores do corpo e do coração

Teresa dum jeito bem conciso
dizia dando exemplificação
que a paz começa com um sorriso
pré disposto a ajudar um irmão

Vento sensível como a aurora,
e tão forte quanto o jatobá
sei que no silêncio tu choras
lembrando a Santa de Calcutá

O mais lindo coração humano
que o século vinte produziu
foi pro povo pobre Indiano
o que tu, vento, és pro rio

Seu trabalho santo, abençoado
rompia fronteiras e religiões
chegava até aos encarcerados
e povos de todas as regiões

Linda, reflexiva Madre Teresa
dizia no seu profundo pensar:
Nunca ame ninguém pela beleza
e nada detenha teu caminhar

Sem menor apego às riquezas
Teresa falava à população
"A maior de todas as pobrezas
é a falta do amor no coração"

Doar nem sempre é importante
o importante é como se dá.
Belas frases interessantes
ditas pela Santa de Calcutá

Sua vida junto a despossuidos
nas ações sociais, pastorais
rendeu-lhe galardão merecido
o valioso Prêmio Nobel da Paz

E quando um dia foi recolhida
que nem Maria, outra Santa Fiel
foi recebida pelo Deus da Vida
por ter cumprido bem seu papel


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Martin Luther King Jr


Martin Luther King Jr
Um Homem Chamado Pastor

I

Vento parceiro da liberdade,
sei que te lembras até de mais
dum Pastor Profeta de verdade,
amigo da Justiça e da Paz

Pastor americano libertário
que no ardor da fé, da paixão
sem tá nem aí para salário
foi pra rua defender irmão

Tempos do eterno mau caratismo,
cem anos após a abolição
imperava o segregacionismo
sob as bençãos da constituição

O segregacionismo era uma peste,
negro nem podia direito andar
da costa leste a costa oeste,
de Miami à fronteira com o Canadá

Negro estampava em sua face
o horror e a indignação
do cidadão de segunda classe
num país que exporta religião

Pra se ter uma idéia, ora veja
do quanto o racismo era geral,
pasme! Até mesmo nas igrejas
o Segregacionismo era banal

Negros sofriam desrespeitos
no ônibus, colégio, hospital
e o cúmulo do preconceito:
Sem direito ao voto universal

Branca de tanta imoralidade
certa casa símbolo da opressão
dava plena institucionalidade
a esse regime de separação

Nesse tempo só mesmo atabaques,
irmãos das inquietudes sociais,
protestavam contra os ataques
das leis racistas, imorais

Os negros, na verdade das verdades
só viam seus direitos serem iguais
nos momentos da pura irmandade
nos terreiros dos seus ancestrais



Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Martin Luther King Jr



Martin Luther King Jr
Um Homem Chamado Pastor

II

Quase em ritmo de prosa e verso
Luther King disse em claro tom:
"Pior que o grito do perverso
é o covarde silêncio de um bom"

Lindo Pastor Martin Luther King
sem o menor medo de ser feliz
transformou a rua em santo ring
na luta pelos Direitos Civis

Com apoio da Divina Providencia,
negros, índios e brancos do povão
vão fazer uso da não violência
contra o regime de segregação

Com reais ações transformadoras
paciência, fé e moderação
faz uso de técnicas inovadoras:
Greve de fome, piquete, ocupação...

Coisas que o seu Deus soberano
do Alto lhe dava orientação
e que Gandhi, um líder indiano
lhe enchia de inspiração

Porta voz da Fé, da Liberdade
honrando seu Chamado Pastoral
ocupava prédios, universidades
e até corte suprema federal

Ruas, praças, quadras, passarelas
todas ainda podem testemunhar
as passeatas mais lindas, belas
na força do movimento popular

Tendo a frente o pastor, profeta
a grande, magnífica multidão
com faixas, cartazes, fazia festa
protestando contra a segregação

Nessas impressionantes, magníficas
singelas, divinas manifestações,
a santa ira humana, bem pacífica
fazia as mais bonitas orações

E o Vento sonhador e consciente
diz que o próprio Deus Libertador
nas ruas também se fez presente
caminhando ao lado do seu pastor


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara


Martin Luther King Jr


Martin Luther King Jr
Um Homem Chamado Pastor

III

Martin Luther King Pacifista
real cumpridor do seu papel
de Reverendo Pastor Batista
se tornou um Cidadão do Céu

Pastor consagrado, tão ousado
que na plena terra do Tio Sam
disse em tom também indignado
"Um Não a Agressão ao Vietnã"

Nunca, em todo o seu apostolado
ele se curvou ante o mau
pois todo profeta mudo, calado
não passa de um agente de baal

Internacionalmente respeitado
pelos seus feitos imemoriais
foi dignamente contemplado
com lindo Premio Nobel da Paz

E se um dia também foi alvejado
pelas balas do vil opressor,
até nisso deixou um recado:
Servo não é maior que seu Senhor.

Todo servo que nunca se cala
diante das leis injustas, imorais
sempre tá sujeito a levar bala
desses pistoleiros de satanás

Martin Luther King martirizado
por peitar a lei do seu doutor
pra todo o sempre será lembrado
como verdadeiro exemplo de Pastor

O que os companheiros das estradas
fazem hoje em prédios e ocupações,
o Sonhador Pastor, em caminhadas,
fazia nas estações, repartições...

E no Céu de Atlanta, das Carolinas,
do Texas... a Águia e o Condor
cantam em memória à Voz Divina
desse Homem Chamado Pastor

Cantam pois seu sonho tão sonhado
hoje em dia é plena realização:
Negro pode votar e ser votado
e até ser presidente da nação


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sifrá e Puá


Sifrá e Puá

Parteiras e Mães Coragem


Lá pras bandas do Egito
Todo mundo tava aflito
Um decreto apareceu.
Faraó enlouquecido
Quis matar recém-nascidos
Do escravo povo Hebreu

Tal decreto assassino
Mandava afogar meninos
No Nilo, grande rio.
Mas o Deus dos oprimidos
Dos escravos, excluídos
Nada disso permitiu

É assim que surgem duas guerreiras
Temerosas à "Eu Sou", Senhor Jeová.
Escravas hebréias verdadeiras
As mais lindas das parteiras
Corajosas Sifrá e Puá.

Vendo as ordens assassinas
Essas duas heroínas
Não se curvam ante o mal.
Nem de longe são omissas
Tolerantes, submissas
Ao decreto imperial

Elas vêem, com calafrio
No Nilo, grande rio
Crocodilos, jacarés
E vislumbram novo dia:
O fim dessa agonia
No libertador Moisés

O instinto do coração materno,
Em sintonia com o Deus Jeová,
Desafia verão e inverno
E té mesmo poderes do inferno,
Que nos digam Sifrá e Puá

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

domingo, 2 de maio de 2010

Irmã Doroty Stang


Irmã Doroty Stang

Defensora da Floresta
e dos Oprimidos

Uma linda irmã católica

com sua alma apostólica

mulher de fé e ação

fez projeto sustentável

de maneira admirável

em pleno campo de Missão


Missionária americana

uma santa ser humana

trouxe pro seio pastoral

a compreensão teológica

para a causa ecológica

a consciência ambiental


Ativista missionária

idealista libertária

fez opção preferencial

pela questão fundiária

com uma reforma agrária

pro trabalhador rural


A opção libertadora

pela gente sofredora

despertou reação

nos grupos reacionários

grileiros, latifundiários

pistoleiros da ambição


Sem jamais ficar calada

mesmo sendo ameaçada

essa guerreira irmã

esbanjando dignidade

partiu pra eternidade

foi buscar o amanhã


Seu sangue que hoje irriga

a alma dos bons de briga:

Irmãos Cristãos e ateus

mostra que a terra querida

aqui e em outras garridas

é um supremo Dom de Deus


No País da impunidade

o Sol da Liberdade

lindo sonho do Xingu

raiará na comunidade,

em profetas de verdade

como Doroty do Anapu


Linda Doroty sorridente

mostrou pra nossa gente

na teoria e na ação

que o povo marginalizado

quando tá organizado

produz libertação


Como exemplo de pastora

deixou herança libertadora

na gente cheia de brio

que luta pelo horizonte

dos vales e belos montes

do Xingu, lendário rio


Jetro Fagundes

Farinheiro Marajoara

Vivi, a Vika


Vivi, a Vika amiga e irmã




V ika, menina empreendedora
I nstalada, ali na sua lan
V ive que nem uma sonhadora
I inspirada, encantadora
A colhendo amigos, clientes...
N isso, é claro que a gente
A caba ficando, sim, seu fã


V ika, você que é sorridente
I nseparável amiga e irmã
V enho dizer-te publicamente:
I ncondicionalmente sou teu fã



Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

domingo, 25 de abril de 2010

Caravelando a Portugal


Caravelando a Portugal


Vento amigo das caravelas,
Poxa, vem comigo navegar,
Pela querida terrinha bela
Que fica pro rumo de além mar.

Lá onde um poeta romântico,
Fala que a quantidade de sal
Do seu oceano Atlântico,
São as lágrimas de Portugal.

Vamos ver a linda Lisboa,
Onde tu vento sabes, eu sei,
Que ali a pessoa do Pessoa
Dos poetas ainda é o rei.

Poeta que para os sonhadores,
Disse em tom encorajador:
Quem quiser ir além das dores
Terá que ultrapassar o Bojador!

Ele fez a grande descoberta,
Talvez numa crise de desamor,
Afirmando que todo poeta
É completamente um fingidor.

Quero que tu tragas o sorriso
Duma amiga pura e angelical,
Pois caravelar, sim, é preciso,
Com ela pros rumos de Portugal.

Diga, que, apesar de ser pequena
A alma desse teu amigo sonhador,
Sabe que tudo vale à pena,
Para conquistar um grande amor.

E que essa tua amiga bela
Descubra, na hora de caravelar,
Que quando o amor se revela,
Nunca sabe como se revelar.

Vento amigo da minha amiga,
Que transpira versos e canções,
Vem também, que mil cantigas
Faremos na terra de Camões.

Tu que beija a Flor da Pele,
Da amiga cheia de inspiração,
Venha a Portugal e caravele,
Pelas curvas da composição.

Vento que sopra pra todo lado,
Bora, ta na hora de viajar,
Vamos cantarolando um fado,
A linda Fada amiga vai gostar.


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Rio Xingu I


Rio Xingu I


pra banda do Mato Grosso
meu amigo certo dia surgiu
em forma de lendário colosso
magnífico e importante rio

Rio dos sítios arqueológicos
tem fauna e uma rica vegetação
e vários santuários ecológicos
ao longo de toda sua extensão

Dois mil kilômetros de correnteza,
em cada um dos seus estirões
o Xingu com suas raras belezas
apaixona milhares de corações

Vemos em toda sua corredeira
peixes como surumbim, tucunaré...
encantadas praias, cachoeiras...
que dão mais vida a sua maré

Vendo suas Águas esverdeadas
toda gente que anda nesse rio
fica admirada, emocionada
pois é dos mais lindos do Brasil

Esse rio que deságua no Amazonas
tem uma gente linda, varonil
genuinos donos, genuinas donas,
primeiros habitantes do Brasil

Grande rio Xingu, acervo vivo
um patrimônio verde cultural
com históricos irmãos nativos
em torno do seu Parque Nacional

Fora os atrativos turísticos
temos nesse Parque Florestal
um belo mosaico linguístico
na forma mais pura, natural

Ali, no conceito de cidadania
a Ordem é assegurar o amanhã,
para o Progresso das etnias
cuidando do Curumim, da Cunhatã

E todos os que passam por ali
dizem pros Ventos, manos meus
que Xingu na linguagem Tupi
significa, "A Morada de Deus"

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Rio Xingu I I


Rio Xingu II

Pena que esse paraíso encantado
que sempre inspirou verso, canção
esteja sendo, sim, ameaçado
por megas projetos na região

Projetos que vivendo de trapaça
apostam na desinformação
para terem energia de graça
com sério risco de inundação

Construir ali uma hidréletrica
em nome dos donos do capital
trará consequencias maléficas
com grande impacto ambiental

Se construirem ali uma barragem
no mais Belo Monte de se ver
ficará somente triste miragem
pois tudo poderá desaparecer

Povos da Floresta, guerreiros
genuinos que fazem acontecer
irmãos nativistas, guerrilheiros
não deixem o Rio Xingu morrer

Digam ao mano vento que entoa
cantigas de fé, libertação
que peça aos irmãos Vilas Boas
ajuda em nome da preservação

Chame o heróico Chico Mendes
e todos camaradas do seringal
gente que nunca se vende
a uma raça de gente imoral

Diga a estrela situacionista
que a história nunca terá fim.
Ela sabe, como ex-ambientalista,
que não se mata um rio assim

Busquem apoio em todo universo
começando pelo planalto central.
Usem a poesia, prosas, versos...
chamem a atenção internacional

Gritem alto que o Vento espalha
grande chamado cheio de brio
à mãe de todas as batalhas
pra salvar o Xingu, nosso rio


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Encontro das Águas


Encontro das Águas
Um Encontro que Encanta

Amiga que quero tanto
vem cá, vou te mostrar
outro tão lindo encanto
que também inspira cantar

Vem cá, te levo numa boa
sei que vais se encantar
com o sobrevoou de canoa
pelas bandas do Rio Mar

Rio onde em versos de espera
o amazonense aprende compor
para algo que tanto venera:
Que se dá na quadra do amor

Um encontro, bem na esquina
da minha Amazonense Flor,
a Manaus, manauara menina
do mais refrescante calor

Nessa quadra dos chamegos
de encantar os corações
as Águas do meu Rio Negro
beijam o Amazonas, Solimões

Encontro que tem no fundo
quilômetros de extensão
vixe, é o maior do mundo,
vai além da imaginação

Ali as Águas, com certeza
pela futura geração
dizem que a mãe natureza
precisa de preservação

É por lá que o navegante
no convés da embarcação
faz cantiga hilariante
pra amada, sua paixão

E tu, amiga da poesia,
que me conheces muito bem,
sabes que como marujo um dia
nessas Águas compus também

Tu que és tão encantada
chegando lá, podes crer
que os navegantes, marujada
se apaixonarão por você

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

domingo, 11 de abril de 2010

Raimundo Fagundes


Raimundo Fagundes


Um Bom Companheiro
Navegante Camarada


Vento amigo da bonança
cá do meu peito não sai
as muitas doces lembranças
do teu companheiro, meu pai

Ele, que num certo dia
resoluto, decidiu optar
pelo canto da Maresia
Do Laguna, Gibraltar

Comandante, Timoneiro
amante da navegação
fez-se amigo parceiro
do ribeirinho irmão

Ali, ele alegremente
a bordo da embarcação
transportava sua gente
sem cobrar um tostão

A sua pequena estatura
pôde à todos revelar
alguém de nobre postura
no agir e no falar

O seu filho predileto,
mano Josué de Portel,
é testemunha de perto
desse depoimento fiel

Navegante Poeta do Arraial Gibraltar
a dor da saudade só falta matar!
Por admirar tua consciencia cidadã
o filho aqui virou teu maior fã

Falo pra minha Viola
que meu pai navegador
nunca frequentou escolas
mas na vida foi um doutor

Homem das literaturas
sabia fazer a tradução
das Sagradas Escrituras
pro meu querido povão

Do Púlpito traduzia
com seu jeito peculiar
a complicada teologia
pra linguagem popular

Autodidata, erudito
amigo dos livros, jornais...
ele que falava bonito,
uma imensa falta me faz

Mas nosso sonho sonhado
juro pela navegação
será um dia realizado
em verso, prosa, canção

Êita meu pai querido!
Lembro cá no Pantanal
o teu hino preferido:
"Solta o Cabo da Nau"

O único traço que de ti herdei
foi sonhar o sonho dum povo rei:
Do Marajó ser um paraiso feliz
valorizado por certo ingrato país


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Dico Jacó


Dico Jacó

Um Irmão dos Irmãos

Vento irmão da Natureza
vivo no meu pedalar
lembrando o menino pureza
das bandas de Gibraltar

Ele que cantarolava
o Marajó, meu Pará
tanto e tanto sonhava
com a gente do Ceará

Era um belo dum sujeito
que no amor fraternal
tratava com todo respeito
o povo do meu arraial

Caboclo de vasta cultura
um popular intelectual
num rio de água escura,
límpida que nem cristal


Lá onde tu irmão vento entoa
cantigas pra duas belas lagoas
o rio Laguna jamais esqueceu
o nordestino que por ali viveu

Cearense arretado
elegante, um vozeirão
tocava todo alinhado
instrumento de percussão

Cara super envolvente
mesmo sem ser seguidor
fez-se irmão dos crentes
na Igreja do seu Senhor

E como amigo da crença
faltava na congregação
Só por motivo de doença
Ou por viajar ao sertão

Violas, Bumbos, Pandeiros
candeeiros do interior
lembram o companheiro
Santo, Fiel, Tangedor

E quando a Irmã ou Irmão abrem um culto
no nome de Cristo, do Pequeno ao adulto
todos recordam o saudoso Dico Jacó,
um Menestrel dos ventos no meu Marajó


Saudades meu velho mano,
minha viola sempre chora
quando recorda você


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Lua


Numa dessas noites encantadas
prometo que eu irei por aí
com minha viola enluarada
tocar uma canção só pra ti

Chegarei aí num cata-vento
antes de tu, amiga, dormir
e no aposento do relento
me alegrarei com teu sorrir

E se acaso tu tiveres dormindo
as estrelas te acordarão
cada uma delas dirá sorrindo
menina, vem ouvir um violão.

Menina, vem ver a viola
que de longe veio tocar
para você de camisola
na linda noite de luar

Menina, vem ver a lua
que com todo esplendor
desponta pra alma tua
lindos versos de amor

E o violão que todo dia
é teu fã incondicional
vai dedilhar a Melodia
aquela pura, Sentimental

Acorda vem olhar a Lua
que veio lá da imensidão
pra dar encanto a tua rua
na batida dum coração

Acorda, vem que essa Lua
tá falando com seu clarão
e a serenata continua
sempre no verso, na canção.

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Oricélia


Oricélia

A Voz Lírica
Duma Comunidade

Companheira verdadeira
Carismática, caminheira
que traduz o verbo amar
com uma paixão imensa
vai fazendo a diferença
em Ananin, seu lugar

Missionária enganjada
é menina determinada
que por amor a multidão
sai de casa em casa
mantendo acesa a brasa
da Evangelização

Quem a vê suavemente
cantando liricamente
fica com o coração
totalmente quebrantado
em paz, maravilhado
ardente de emoção

Dizem que sua Viola
Libertária consola
qualquer humilde lar
onde o Coração Santo
acolhido com encanto
sempre irá reinar

Ela que na periferia
combate a idolatria
do nojento capital
é a pura solidariedade
na minha comunidade,
Novo Horizonte, Pantanal

Oricélia Acolhedora
uma Divina Servidora
Mulher Coragem, de Fé
é a paixão dum camarada
companheiro de jornada,
o guerreiro Josué


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

sábado, 3 de abril de 2010

Natã

Natã


Companheiro no Campo
das Conquistas


Meu Companheiro de Comunidade
que nas ações de solidariedade
mantém a chama do Socialismo
sempre acesa com seu ativismo

Caro amigo da canção, poesia
que realiza sonhos, utopias
botando em prática ideologias
com exercicios de cidadania

Tu que no Centro da Periferia
estabeleces linda parceria
com uma gente que na alegria
além da guerra é de cantoria

Você que tanto se alegra comigo
a tua casa sempre deu abrigo
muitas crianças: meninos, meninas
na Comunidade Nova Horizontina

Sempre invejei o teu suave jeito
de um radical e sereno sujeito
capaz de se mostrar indignado
quando optas em ficar calado

Hey amigo! Hey meu irmão!
é pra você essa canção
Hey amigo! Hey meu irmão!
Companheiro, Camaradão

O teu sorriso puro, verdadeiro
ja denuncia que és um parceiro
das companheiras e dos camaradas
apaixonados pela caminhada

A tua voz tão meiga, de candura
nunca apoiou arcaicas estruturas
lembra que és amigo de Guervara
um companheiro que tudo encara

Você que é pra lá de gente boa,
a elegancia em forma de pessoa
tu sempre andas muito bem vestido
prestando ajuda aos desassistidos

Tu que tens sido meu advogado
eu deixo aqui o muito obrigado
fique bem claro que não mereço
você amigo de tamanho apreço

Finalizando esse cantarolado
com tua Maria sente-se ao meu lado
baixinho lhes contarei um segredo:
Ninguém esquece o anjo João Pedro


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

A Poetisa

Encantado, mesmo sério
no jardim de bem me quer
vejo um sorriso de misterio
numa linda menina mulher

Um sorriso de Mona Lisa
Num belo olhar de Capitu
que se penteia com a brisa
no encanto de um Uirapuru




B asta a gente dar uma pincelada
E m tudo que essa menina escreve:
L indas letras versificadas
L ogo pensamos ser de uma fada
E ncantada, bela, Belle Neves

N ossa! A menina bela e tanto
E escreve ritimando na paixão
V ersos que refletem seu encanto
E ditado no mais lindo dos recantos,
S eu doce, delicado coração .

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Rio Tajapuru

Rio Tajapuru
Onde Canoa Baila

Lá pro rumo de Breves
do meu querido Parauhau
tu mano vento escreves
cantigas pro Tajapuru

Onde a Canoa Menina
flutua no seu balançar
que nem uma Bailarina
num dois pra lá, dois pra cá

Ali Ribeirinho, Companheiro
pureza da beira de rio
pega marola, banzeiro
dos tranzatlânticos navios

Rio camarada, amigo verdadeiro
dos embarcadiços, marinheiros
eu tantas vezes te tajapuruzei
nos tantos anos em que naveguei

Todo apaixonado pela Navegação
lembra a cantiga do Bom Capitão
que com seu puro coração divino
foi maior amigo dum Órfão Menino

Tajapuru rio da Vida

dificil é não recordar
a linda gente querida
que aprendemos a amar

Gente dos Cascos, Bajaras
Botes, Regatas, Batelões
minhas Canoas Marajoaras,
Belíssimas Embarcações
Rio onde ninguém consegue
esquecer um Desbravador
Assembleiano Daniel Berg
que por lá foi remador

Juro que é para as bandas dali,
onde encontramos o puro Açai
varando o Limão, meu Ituquara
mora Caetano, Poeta Marajoara

Raimundo Caetano Poeta Povão
Sangue Cabano, és grande cidadão
quero que perdoes minha ingratidão
mas trago a todos, cá no coração

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Um inocente convite


Menina dos mil carinhos
se tiveres um tempinho
chega aqui no meu cantinho
bem baixinho diz que vem
ver por uma tarde inteira
o encanto das mangueiras
e as lindas tacacazeiras
da minha bela Belém.


Traga a tua magia
vamos levar poesia
à guajarina baía
do maestro Waldemar.
Teu menino indefeso
com coração aceso
quer Ver O Peso
do teu cantar.


Menina minha princesa
venha ver toda a beleza
que a nossa mãe natureza
com certeza construiu
Teu cristal e meu chinelo
num passeio mais que belo
pelo Forte do Castelo
hão de Ver O rio


E ao vermos Tipiti
brinquedo de Miriti
e a feira do Açaí,
coisas que só cá tem
ficaremos mais inspirados
encantados, enamorados
e ardentemente apaixonados
pela nossa Bela Belém.


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

domingo, 28 de março de 2010

Zé Mendes

Filho do Maranhão
Menino de Ananin

Grande amigo camarada
companheiro de toadas
das águas do Turiaçu,
é maranhense apaixonado
pelo lindo Boi malhado
e pela palha de babuçu
Menino polivalente
em tudo é envolvente
nas coisas que faz.
Companheiro de verdade
parceiro da Comunidade
homem de guerra e paz

Lindo menino guerreiro
que além de carpiteiro
e calafate mestre naval
é como propagandista
um popular artista
de lampejo cultural
Largamente conhecido
pelos seus Bois queridos
daqui, de acolá
é amado, respeitado
por todos os lados,
do Cururupu ao rio Guamá

José da carpintaria
que vive pra sua Maria
maranhense Rosa Flor,
em Ananin sua cidade
é exemplo de dignidade
por ser um belo lutador

O meu menino Zé Mendes
nunca jamais se rende
por que é um sonhador
valente, esperançoso
guerreiro, corajoso,
pra lá de vencedor

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara