segunda-feira, 30 de maio de 2011

Marcelo Diniz, um Brilhante Professor






Marcelo Diniz

Um Brilhante Professor


Brilhante professor de verdade
Marcelo trilhando a imensidão
seguindo o rumo da eternidade
deixa saudades em cada coração

Professor muito amigo, camarada
ele tinha de todos a admiração
principalmente da estudantada
e dos companheiros de profissão

Seu rosto alegre de gente bacana
sempre deixava bem transparecer
todo o carisma da pessoa humana
que se revela num grandioso ser

Eita professor, educador Marcelo
que nos sentimentos de honradez
tinha os gestos mais lindos, belos
coisas dos apaixonados pelo Xadrez

Amigo leal, desses verdadeiros
que hoje em dia tão em extinção
tinha o respeito dos farinheiros
e dos que valorizam a educação

Como Facilitador da Matemática
era professor menino brincalhão
simpatizante da torcida fanática
do Clube do Remo, o Azul Leão

Marcelo Diniz deixa um legado
algo visível, na dinâmica lição:
"O professor que de tão dedicado
fazia do ensinar a sua missão"

Pessoa admirada e tão querida
que além de viver pra educação
a grande parte de toda sua vida
dedicou a uma verdadeira paixão

Professor de visão idealizadora
esse apaixonado Marcelo Diniz
viveu pra Rosiane, a professora
que nunca tem medo de ser feliz

Ele que nunca perdeu a esperança
segue como um menino brincalhão
o trilhar da gente que nunca cansa
de sonhar, de agir com muita ação


Saudades meu grande amigo...
e eternos agradecimentos
nas lembranças que ficam
do camarada que parava
seu carro em qualquer
dos recantos dos Ananins
pra cumprimentar um certo
humilde vendedor de farinha


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jairo, um Guerreiro Menino de Verdade





Jairo
um Guerreiro Menino
de Verdade

Amigo de fé, irmão das estradas
grande Jairo irmão companheirão
poucas vezes vi na caminhada
gente assim com tanta disposição

Menino que na base da cantoria
era sim o senhor da disposição
falava em ritmo de sabedoria
em compasso de pura erudição

E por falar na sua linda sabedoria
lá um dia decidido vai caminhar
determinado no centro, na periferia
sendo um ícone da lida de professar

Ele, apesar da avançada idade
saía animado no santo andarilhar
pelas vilas, riachos, comunidades
Igrejas a fora e de lar em lar

Ancião corajoso, um menino profeta
caminhava propagando assim a pé
ou nas garupas de certas bicicletas
lembrando Calebe, guerreiro de fé

Sua simples linguagem, voz pausada
era de alguém que sabia se expressar
usando as palavras bem colocadas
que nos lembrava um sábio popular

Mas o que mais nos impressionava
guardaremos na mente como memorial
era nos momentos em que ele orava
falando com Deus dum jeito natural

"Boa noite meu Deus, muito obrigado
por eu poder aqui falar com você
obrigado também pelos cuidados
com que tu vives a nos proteger"

Oração das mais lindas e comoventes
ficará para sempre na recordação
Pois esse irmão, gente da gente
parte para Deus, e fica no coração

E agora em que parte pra eternidade
a morada do Justos, mansões celestiais
a dor da saudade, claro nos invade
mas vá nosso irmão, na graça e paz

Eita irmão Jairo gente da gente
Batista caminheiro, servo fiel
és um verdadeiro coração valente
guerreiro menino, Cidadão do Céu

Quando a União dos Homens com alegria
entoa o Hino "Vamos nós Trabalhar"
também se canta essa cantoria
para Jairo pelo brilhante caminhar



União dos Homens Batistas
Da Igreja Batista
Boas Novas, em Ananin



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dom Helder Câmara. O Pastor da Liberdade



Dom Helder Câmara
o Pastor da Liberdade

I

Meu amigo que da Brisa é a vida
vou te falar dum bispo sonhador
pessoa que é bastante conhecida
aqui e lá pros rumos do exterior

Cidadão da nordestina Fortaleza
era bem mais que um bispo, pastor
que realizava na beleza da pureza
um trabalho piedoso, transformador

Homem que na atividade profética
foi inspirador da feminina Legião
de humildes operárias domésticas
lavadeiras, passadeiras do sertão

Inimigo dos privilégios, mordomias
viveu uma vida de humilde cristão
singelo, sem pompas, sem regalias
simplesmente com absoluta discrição

Pregava uma fé cristã comprometida
com os anseios da carente multidão
E defendia essa multidão excluída
na teoria, na prática e em sermão

Socialista puro, sem bravatas
com poucos recursos materiais
comprou terras na Zona da Mata
e as deu a trabalhadores rurais

Além dessa primeira experiência
de Reforma Agrária na santa paz
fundou o banco da Providência
e fez conjuntos habitacionais

Figura carismática, meiga linda
com uma voz de menino cativador
foi Arcebispo de Recife e Olinda
no inicio dum período de terror

Estabeleceu uma clara resistência
ao regime golpista ditatorial
por achar que toda conivencia
não combina com missão pastoral

Por nunca agir com complacência
vai pra rádio, jornal, televisão
denunciar injustiças, violências
torturas, censuras e corrupção

Vento, tu sabe de quem eu falo?
Ah! menino que nunca é de se calar
falo de alguém que foi um calo
em vinte anos de ditadura militar

Lindo dom Helder Câmara sereno
amigo inesquecível das pastorais
apesar do porte franzino, pequeno
foi capaz de vencer os generais

Da sua arquidiocese, no nordeste
dom Helder em trabalho pastoral
denunciava o regime cafajeste
retrógrado, covarde, policial

Com perseverança e muito afinco
dom Helder nunca jamais compactuou
com a lei monstrenga do AI e Cinco
que infinitas crueldades provocou

Porta voz de um Evangelho Vivo
homem que nunca foi de se tremer
era chamado de bispo subversivo
e demagogo pelos donos do poder

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Dom Helder Câmara. O Pastor da Liberdade




Dom Helder Câmara
o Pastor da Liberdade

I I

Pastor do torturado, perseguido
soube honrar o dom sacerdotal
e foi em todo canto proibido
de falar em rádio, TV e jornal

Mas à medida em que era impedido
de usar a mídia para denunciar
se tornava bastante conhecido
na seio do movimento popular

Vento, sabes o que é coragem pura?
É voce na candura sair, se arriscar
correr o mundo denunciando ditaduras
e não ter o menor medo de retornar

Homem da letra, intelectualidade
foi por defender direitos sociais
doutor Honoris Causa, personalidade
nas Universidades Internacionais

Ele que nunca dobrou seus joelhos
às raposas anti- constitucionais
era tachado de "o bispo vermelho"
amigo de comunistas, de marginais

Dom Helder pela firmeza, coragem
de um libertário sereno, angelical
foi alvo da xeretagem, espionagem
dos arapongas da segurança nacional

O tempo inteiro com a vida ameaçada
viu no auge do período da repressão
sua casa ser duas vezes metralhada
mas o Deus da Vida lhe dava proteção

Pouco mais de metro e meio de altura
na coragem de menino pastor de Deus
lembrava ao enfrentar a ditadura
Davi diante de Golias, o filisteu

Um dia recheado da graça, encanto
disse que na sua missão sacerdotal
o Pai, o Filho, o Espírito Santo
protegiam e os livravam de todo mal

Com arma mais simples que o estilingue
a CORAGEM de quem professa fé cristã
ganhou o prêmio Martin Luther King
um herói Batista da terra do Tio Sam

Bispo da Liberdade, dos necessitados
menino de grande lampejos culturais
dos brasileiros foi o mais indicado
pra receber o Premio Nobel da Paz

E quando a ditadura militar cretina
bate em retirada diante do povão
dom Helder aposenta a branca batina
avermelhada no cumprimento da missão

Vento, tu que amas as lindas Bases
das lendárias Comunidades Eclesiais
sei que te lembras de muitas frases
do teu profeta, apóstolo da paz

Dom Helder que detestava as trapaças
de quem vivia da tortura e do mentir
dizia que "a graça de todas as graças
é caminhar certo sem nunca desistir"

Amigo das comunidades guerrilheiras
também dizia na beleza do seu ser:
"Feliz quem atravessa a vida inteira
tendo milhares de razões pra viver"

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Dom Helder Câmara. O Pastor da Liberdade



Dom Helder Câmara
o Pastor da Liberdade

I I I


Frases que o teu povo nunca esquece
pois são dum testemunho libertador:
"Se discordas de mim, tu me enriqueces
pois o perfume das almas é dom do amor"

Dizia que nos rostos dos necessitados
esmagados pelas toruras, humilhações
via o próprio Cristo ressuscitado
acalentando, confortando corações

Vendo tanta miséria dizia que a fome
de uma irmã, de um irmão na exclusão
condena a civilização de quem come.
A pessoa te pesa? Leva-a no coraçao

O seu falar firme, doce, compassado
nos lembrava um Ser humano divinal
aquEle que desde os tempos passado
pelos pobres fez opção preferencial

Vento, que vistes horrores, prantos
tantas coisas dom Helder escreveu
"Quando eu ajudo me chamam de santo
quando questiono dizem que sou ateu"

Nos tempos da paranoica panacéia
política que lembrava a inquisição
disse que torturar não mata idéias
Torturar só tráz desordem à nação

Quando esse profeta do irmão aflito
lá pros rumos do infinito partiu
foi consciente de ter feito bonito
na redemocratizada pátria, o Brasil

Partiu deixando enorme saudades
nos inúmeros recantos e arraiais
onde o Sol da Justiça, Liberdade
clareia sempre e cada vez mais

Homem que pela paz venceu a guerra
fez questão de levar no seu coração
a bandeira dos companheiros Sem Terra
um povo de muita garra, fé, luta, ação

E toda vez que se fala de Conferencia
mesmo nos tempos conservadores atuais
lembramos o bispo que fez preferencia
de lutar pela liberdade, nas pastorais

Quando a gente canta na comunidade
cantigas de Zé Vicente, companheirão
lembranças do Pastor da Liberdade
se achegam e nos enchem de emoção

Lembranças dum bispo que na rebeldia
da ira santa revelou-se um realizador
que transformava os sonhos, utopias
em ações de cidadania na base do amor

Coração carinhoso e alma destemida
imaginava uma sociedade sem exclusão
realizando o banquete da fé, da vida
com harmonia em constante celebração

Helder Câmara da Igreja das Fronteiras
Dom valente que nunca desistiu jamais
é venerado inclusive pelas ladeiras
da bela Olinda, de Recife dos corais

Não somente venerado, mas respeitado
porque traduzia com seu dom cativador
ao injustiçado, irmão marginalizado:
Esperança é crer na aventura do amor


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

domingo, 10 de abril de 2011

João Goulart. Como, quando e porque se depõe um presidente



João Goulart
Como, quando e porque se depõe um presidente

I

Grande companheiro inseparável
confiável testemunha ocular
Vento tu te lembras do memorável
gaúcho presidente João Goulart ?

Ele que um dia foi afastado
da sua função presidencial
através dum golpe de Estado
de modo traiçoeiro e brutal

João Goulart, chamado de Jango
filho da pátria nem tão gentil
vem dos maragatos, dos chimangos
lá de São Borja, sul do Brasil

Surgiu num partido trabalhista
quando este tinha real valor
com larga tendência socialista
buscava defender trabalhador

Próspero estancieiro advogado
sendo eleito deputado federal
recebeu de Vargas o chamado
pra assumir pasta ministerial

Ministro do Trabalho preocupado
com o ordenado arrochador
concedeu um reajuste duplicado
no salário do povo trabalhador

E esse reajuste de salário
despertou o ódio irracional
em muitos militares reacionários
e em toda elite empresarial

Jango foi acusado de comunista
até mesmo no congresso nacional
por um certo histórico golpista
fascista tribuno dono de jornal

Já de olho no próximo pleito
o trabalhista pede demissão
e em cincoenta e cinco é eleito
vice presidente dessa nação

Duas vezes vice presidente
com JK e Jânio, manipulador
Jango, um político diferente
jamais se revelou conspirador

Quando Jânio de mente lunática
num mega blefe veio renunciar
Jango em missão diplomática
da China foi impedido de voltar

Contra reacionários golpistas
João Goulart retorna ao Brasil
acatando Emenda Parlamentarista
pra evitar uma guerra civil

Fracassado o Parlamentarismo
no Brasil tudo volta ao normal
no retorno ao Presidencialismo,
Regime Republicano tradicional

João Goulart, gaúcho trabalhista
como presidente institucional
se aproximou dos socialistas
e muita gente do meio sindical

Ele que nunca foi um comunista
do tipo amante de “O Capital”
era um patriota futurista
preocupado com o bem social

Vento, que conhece bem os fatos
Jango, do trabalho à educação
até o golpe de sessenta e quatro
buscou o melhor pra sua nação

E eu sei que tu ainda fazes
com tua capacidade analisar
reflexões sobre Reformas de Bases
propostas por João Goulart

E se fossem postas em práticas
certamente que pela via legal,
teríamos uma nação democrática
com harmonia e justiça social

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

João Goulart. Como, quando e porque se depõe um presidente



João Goulart
Como, quando e porque
se depõe um presidente


II

Vento meu mano revolucionário
Jango criou um abono salarial
famoso décimo terceiro salário
que se recebe próximo ao natal

Até o golpe de sessenta e quatro
ele visando a futura geração
tentou focalizar o seu mandato
na importante area da educação

Seu projeto educacional ousado
o Método Paulo Freire, genial
poucos anos depois foi plagiado
pelas quarteladas do Mobral

Conhecedor da situação fundiária
no drama dos trabalhadores rurais
ele quis fazer a Reforma Agrária
à principio em terras federais

É claro que a direita golpista
na base do primeiro de abril
dizia que jango era esquerdista
e que queria comunizar o Brasil

Mas foi a Reforma Tributária
que mexia até com multinacionais
que incitou a fúria reacionária
de empresários, coronéis, generais

Jango preocupado com a pobreza
testemunhada pelo céu cor de anil
propunha que o lucro das empresas
claro, fosse reinvestido no Brasil

Ele também quis mexer no imposto
na renda de quem ganhava mais
pena que acabou sendo deposto
por militares e donos de jornais

O presidente também foi atingido
pela direita católica-cristã
e pelo demônio dos Estados Unidos
visto na Operação Brother Sam

Atingido por mentira, inverdades
da fanática, famigerada TFP
na Tradição, Família, Propriedade
que buscava uma fatia do poder

E ao se interromper a trajetória
dum grande presidente do Brasil
o país perdeu o bonde da história
num mentiroso primeiro de abril

Vento, irmão dos manos caipiras
e de todo povo humilde batalhador
eu sei que tu detestas mentiras
e odeias manipulador, torturador

Mercedes das Corrientes e Sierras
foi ali que Jango veio a falecer
sentindo o cheiro da nossa terra
nas mãos da ultra direita volver

Injustiçado na Argentina exilado
proibido, impedido de retornar
sim foi assassinado, envenenado,
outro crime da ditadura militar

Um dia esse Brasil fará justiça
ao seu presidente João Goulart
que enfrentou o ódio da cobiça
por ter feito um governo popular

Ele que nunca foi um comunista
enfrentou muitas campanhas hostis
era um presidente, sim, futurista
e que só quis o bem pro seu país

Vento, tu que fazes ser tremulado
o lindo Lábaro estrelado da nação
que jamais haja golpe de Estado,
e que se respeite a Constituição

Que noites tenebrosas, escuras
sejam para quem ladra como os cães
Temos nojo e ódio à ditaduras
assim dizia Ulysses Guimarães

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

terça-feira, 29 de março de 2011

Nelson Mandela. Viva Madiba !


Nelson Mandela.
Viva Madiba !

I

Companheiro lindo, vento mano
achega-te um pouquinho aqui
quero falar de um sul-africano
homem de sonhar, lutar, agir

Pacifista, guerreiro de verdade
que tem sido nos modos de ser
uma das maiores personalidades
que a humanidade já pôde ver

Lá pros rumos da mãe africana
bem no extremo sul da região
uma certa minoria branca insana
mergulhou seu povo na escuridão

Tempos em que tal grupo leviano
historicamente voltado pro mal
instaura no país Sul Africano
um regime de segregação racial

Regime racista dos mais odiados
o Apartheid com apoio oficial
foi parte da política de estado
na forma mais indecente, imoral

Dos anos quarenta aos noventa
os negros, maioria dessa nação
foram vítimas da cruel violenta
política de absurda segregação

Os negros do centro, periferia
sofriam na cidade, no interior
com o jeito de pensar da minoria
que sempre se achou superior

Práticas das mais segregacionistas
impediam casamentos inter-raciais
que lembrando métodos nazistas
estarreciam Cortes Internacionais

Quase tudo era vetado ao negro
no mundo dos negocios comerciais,
no direito a um público emprego
e até mesmo nas relações sociais

Vento, tu que amas a democracia
o Apartheid era tão segregacional
                                                          que privava o negro de cidadania
com apoio do nazi-Partido Nacional

E toda essa satanista ideologia
herança dos conservadores europeus
contava com a benção da teologia
mesmo afrontando o próprio Deus

Hipócrita, corrupta e segregada
a eleição nesse país no seu rigor
de tão desarvergonhada, descarada
pro negro não tinha nenhum valor

É aí que surge Nelson Mandela
o Madiba orgulhoso da sua cor
com postura audaciosamente bela
desafiando esse regime de terror

Negro valente formado em direito
Mandela, um consciente cidadão
por não concordar com preconceitos
se fez líder pacífico da oposição

Contra o regime cruel, tirano
se alia com firmeza de posição
ao Congresso Nacional Africano
e enfrenta ferrenha repressão

Proscrito, posto na ilegalidade
Mandela não teve outra opção
vai enfrentar na clandestinidade
a ditadura da racial segregação

II

E Madiba aderiu a luta armada
quando com profunda indignação
viu a sua gente ser massacrada
em uma pacífica manifestação

Vento, o teu herói sul africano
se torna o coordenador principal
de concretos, estratégicos planos
de acabar com a política racial

Acusado de atividades terroristas
e ações relacionadas a subversão
cai nas mãos dos segregacionistas
e é condenado a perpetua prisão

E de sessenta e dois a noventa
o grande ativista negro cidadão
experimenta a mais vil nojenta
forma repugnante de reclusão

Nesse periodo muitas entidades
ligadas a política ou religião
exigem que o regime do Aparthaide
Libertem o líder negro da Prisão

Vento, tu te lembras dos roqueiros
e regueiros irmanados na canção
na ginga capoeirista dos terreiros
pedindo a liberdade do teu irmão?

Lembras de cristãos e comunistas
num dos raros momentos de comunhão
exigindo que os segregacionistas
libertassem Mandela da prisão ?

Tantas Escolas de Samba e passarelas
enredos, Kizomba e sua Constituição
sonhavam com a liberdade de Mandela
e o apartheide destruido, em extinção

Quando ele um dia foi libertado
o povão dos mais variados locais
desde Luanda do luar iluminado
foi pras ruas, avenidas, quintais

Festa lá pros rumos de Joanesburgo
e no horizonte do infinito céu azul
o fim dos segregacionistas expurgos
se aproximava em toda África do Sul

a negritude testemunhava a história
em cada beco e gueto da sua nação
quando os governantes de Pretória
libertaram Madiba Mandela da prisão

Negritude que também rendia tributo
a todos que nunca se calam, jamais
foi pra rua dançar com Desmond Tuto
a lenda viva, Premio Nobel da Paz

Pouco tempo depois Madiba Africano
também ganha o lindo Nobel da Paz
numa vitória dos Direitos Humanos
que atuam nos Movimentos Sociais

E mais euforia na periférica Soweto
com merecida redobrada comemoração
Madiba Negro como presidente eleito
enterra de vez a maldita segregação

Mesmo tendo lá possíveis defeitos
Mandela pela História de luta, ação
ainda em vida já é aquele sujeito
considerado pai por toda sua nação

Mas foi um esforçado presidente
que promoveu a justiça social
e levou o Mundial até sua gente
prova do prestigio Internacional

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Nelson Mandela. Viva Madiba !



Nelson Mandela.
Viva Madiba !


II

E Madiba aderiu a luta armada
quando com profunda indignação
viu a sua gente ser massacrada
em uma pacífica manifestação

Vento, o teu herói sul africano
se torna o coordenador principal
de concretos, estratégicos planos
de acabar com a política racial

Acusado de atividades terroristas
e ações relacionadas a subversão
cai nas mãos dos segregacionistas
e é condenado a perpetua prisão

E de sessenta e dois a noventa
o grande ativista negro cidadão
experimenta a mais vil nojenta
forma repugnante de reclusão

Nesse periodo muitas entidades
ligadas a política ou religião
exigem que o regime do Aparthaide
Libertem o líder negro da Prisão

Vento, tu te lembras dos roqueiros
e regueiros irmanados na canção
na ginga capoeirista dos terreiros
pedindo a liberdade do teu irmão?

Lembras de cristãos e comunistas
num dos raros momentos de comunhão
exigindo que os segregacionistas
libertassem Mandela da prisão ?

Tantas Escolas de Samba e passarelas
enredos, Kizomba e sua Constituição
sonhavam com a liberdade de Mandela
e o apartheide destruido, em extinção

Quando ele um dia foi libertado
o povão dos mais variados locais
desde Luanda do luar iluminado
foi pras ruas, avenidas, quintais

Festa lá pros rumos de Joanesburgo
e no horizonte do infinito céu azul
o fim dos segregacionistas expurgos
se aproximava em toda África do Sul

a negritude testemunhava a história
em cada beco e gueto da sua nação
quando os governantes de Pretória
libertaram Madiba Mandela da prisão

Negritude que também rendia tributo
a todos que nunca se calam, jamais
foi pra rua dançar com Desmond Tuto
a lenda viva, Premio Nobel da Paz

Pouco tempo depois Madiba Africano
também ganha o lindo Nobel da Paz
numa vitória dos Direitos Humanos
que atuam nos Movimentos Sociais

E mais euforia na periférica Soweto
com merecida redobrada comemoração
Madiba Negro como presidente eleito
enterra de vez a maldita segregação

Mesmo tendo lá possíveis defeitos
Mandela pela História de luta, ação
ainda em vida já é aquele sujeito
considerado pai por toda sua nação

Mas foi um esforçado presidente
que promoveu a justiça social
e levou o Mundial até sua gente
prova do prestigio Internacional


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um Guerrilheiro Paraoara Paulo Fonteles, Companheiro de Guevara




Um Guerrilheiro Paraoara

Paulo Fonteles,
Companheiro de Guevara

I

Vento meu camarada companheiro
sopre com a tua alma cidadã
as lembranças dum guerrilheiro
que foi um dia buscar o amanhã

Cante pro irmão do campesinato
um dia o Sol da Justiça brotará
tudo o que um advogado do mato
plantou no solo do nosso Pará

Filho da guerreira heroína
uma defensora da paz, do bem
Cordolina, legendária menina
a mãe coragem da bela Belém

Desde quando era estudante
ele no jeito de agir, sonhar
já se revelava um militante
na sua Católica Ação Popular

Antes mesmo de ser diplomado
Paulo Fonteles como sonhador
sim, era um brilhante advogado
de estudante, de trabalhador

Foi como encarcerado torturado
verdadeira testemunha ocular
das selvagerias de um Estado
nos porões da ditadura militar

Os anos em que ficou encarcerado
preso nos porões dos generais
o fizeram ficar mais engajado
nas lutas por direitos sociais

Livre da barbárie, violência
deu sequência ao seu ideal
sendo a voz da resistência
num certo ALTERNATIVO jornal

Vento, tu que sempre tá do lado
de quem luta contra os maiorais,
Paulo Fonteles foi o advogado
das causas dos movimentos sociais

Defensor de questões fundiárias
sabia fazer a hora acontecer
peitando barreiras judiciárias
que sempre tão do lado do poder

Companheiro de lavrador, roceiro
posseiro, sindicalista, camponês
embora ameaçado por pistoleiros
resistia com intrepidez, honradez

Ele, conhecido advogado do Mato
por defender a terra e a pastoral
em oitenta e dois saiu candidato
e foi eleito deputado estadual

Deputado pra lá de libertário
sempre se colocou à disposição
com um dos seus pés no plenário
e outro nas ruas com a multidão

Dizem que o palácio da Cabanagem
pela primeira vez pode contemplar
um verdadeiro deputado coragem
e ligado ao movimento popular

Honrando aquele sangue de cabano
de quem nunca temeu bala, fuzil
apoiou trabalhador rural e urbano
e abraçou a causa estudantil

Vento, o teu deputado socialista
por desafiar os donos do poder
fazia parte de macabras listas
dos que estavam marcados pra morrer

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Guerrilheiro Paraoara Paulo Fonteles, Companheiro de Guevara





Guerrilheiro Paraoara
Paulo Fonteles,
Companheiro de Guevara



Embora figurando em macabra lista
denunciava na tribuna parlamentar
a corrupta política entreguista
da criminosa ditadura militar

E sempre direcionava seu grito
de revolta, pura indignação
pros rumos das áreas de conflito
em defesa de lavrador, sem chão

Mesmo sofrendo muitas ameaças
de coronéis, fazendeiro, capataz
o deputado nas ruas e praças
sem se acovardar ousava mais

Em oitenta e sete, ex-deputado
mas sempre defensor de camponês
Paulo Fonteles foi atocaiado
na BR trezentos e dezesseis

Vítima da covardia assassina
o socialista, poeta, menestrel
é baleado num posto de gasolina
por uns pistoleiros de aluguel

Perto do começo da Alça Viária
o deputado heroicamente tombou
vítima da insanidade agrária
na terra em que ele tanto amou

Terra onde o poder judiciário
nos afronta com tanta omissão
prato cheio pra que reacionários
assassinem defensor de cidadão

Vento companheiro da História
tu que tens um ar de cantador
cante o que diz a Santa Memória
que terra é dom do Deus Criador

Ilustre pro infinito, aquarele
a terra, um dom supremo divinal
e cante pro irmão Paulo Fonteles
amigo de uma lendária Pastoral

Cantorie pro Araguaia, Xinguara
o que Ademar Bogo diz em poesia
que os companheiros de Guevara
trilham a estrada por um novo dia

Cante em memória de Paulo Fonteles
guerrilheiro poeta intelectual
que sentiu na sua própria pele
mil dores por defender seu ideal

Paulo Fonteles dedicou a vida
pela Reforma Agrária nacional
pela terra que quis ver dividida
em benefício do trabalhador rural

Escolas, ruas e praças paraoaras
sabem bem que a belíssima voz
do bravo companheiro de Guevara
ainda ecoa firme no meio de nós

Ecoa lá na memória do infinito
pros rumos donde também estão
Padre Josimo, Canuto, Expedito
todos gente de fé e muita ação

Ecoa lá pros rumos de Eldorado
e pro mato onde se tem recordação
de João Batista, outro deputado
que rega com seu sangue nosso chão

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Não à Usina de Belo Monte




Não à Usina de Belo Monte

Energia limpa pro planeta
nós nunca iremos alcançar
por meio de gente picareta
que vive a vida a trapacear

Gente desumana, insensata
capitalista, imoral, vil
que além de matar a mata
mata a vida matando rio

Gente que matando a primavera
mata outono, inverno, verão
deixando restos nas crateras
pro amazônico, cidadão irmão

Muitos projetos faraônicos
ao contrário de benefícios
trazem ao povo amazônico
vales de misérias, malefícios

Propagando desenvolvimento
exploram uma bela região
a custa de muito sofrimento
fome, peste, dor, alienação

É uma gente fria, desalmada
com aquela prática cultural
da demoníaca terra arrasada,
marca da besta neoliberal

São sanguessugas do planeta
coveiros de sonhos, da paz
que amam trapaças, mutretas
idolatrando metais, capitais

Gente sem pudor e consciência
que explora recursos naturais.
Sem o menor senso de decência
provoca desastres ambientais

Parasita predadora da natureza
que leva na maior falta de pudor
Luz de graça pra megas empresas
e olhão da cara pro trabalhador

Um NÃO a Usina de Belo Monte
É um SIM à consciencia cidadã
do povo que mira o horizonte
e vislumbra a vida no amanhã


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Castro Alves, Poeta Romântico e Libertário


Castro Alves, Poeta Romântico e Libertário

I

Vento, parceiro dos navegantes
cante para as asas do condor
cantigas de Espumas Flutuantes
que lebram o Hino do Equador

Cante e encante com teu canto
que sopra puro ar inspirador
lá na baía de todos os santos
de Curralhinho, de Salvador

Cante pras Kizombas, Angola
da Mãe África, presente aqui,
e pro teu irmão das Kilombolas
sumano da negritude, do Zumbí

Cante pra encantada Idalina
menina que foi lá no sertão
aquela belíssima nordestina
que te dava tanta inspiração

Vento, amigo que na maresia
beija a proa da embarcação
lembras um menino da Bahia
dando show de declamação ?

Lá pros anos mil e oitocentos
década de quarenta vai nascer
alguém avançado pro seu tempo
inovador na forma de escrever

Amigo da arte, música, festa
desde cedo e já no ginasial
fazia nos saraus e serestas
cantoria romântica e social

Além de bem vestido, elegante
possuia voz sublime de trovão
de Agamenon, firme, possante
que vibrava em todo coração

Ele que varava as madrugadas
pela poesia se tornou paixão
inclusive de mulheres casadas
empolgadas com a sua canção

Cantador irmão dos navegadores
Castro Alves, o poeta do Condor
fazia pras suas rosas, flores
cantiga, verso e prosa de amor

Ele que inspirado na primavera
dizia com jeito enternecedor
Ah, se pudesse, ai quem pudera
viver, qual vive a linda flor

Poeta que nos mil e um amores
como conquistador de corações
fez os poemas mais encantadores
pra ela, a Musa das multidões

Vento, mano das sensibilidades
Castro Alves em suas louvações
dedicou à tua Musa, LIBERDADE
as mais belas, lindas canções

Juro mano Vento que é verdade
as mais bonitas composições
ele fez pra amada LIBERDADE
rompedora dos cruéis grilhões

Amante de uma escola literaria
que sabia se utilizar da canção
soube agir de forma libertária
pela república e pela abolição

Ele soube usar a literatura
como potente arma principal
contra monarquia, escravatura
que manchavam a honra nacional

II

Poeta que dizia nas cantorias
de peito aberto, com indignação
que o negro não era mercadoria
pra ser negociado em um balcão

Cantando pros inspirados ares
exaltou em autêntica louvação
os negros valentes dos palmares
anjos da lendária insurreição

Vento, meu camarada cancioneiro
sei que esta tua estrondosa voz
ja declamou o "Navio Negreiro"
pra ave dos oceanos, o Albatroz

Sei também que vistes injuriado
Auri Verde pendão testemunhar
pobres irmãos negros açoitados
nos porões funestos em alto mar

Na linguagem divina da poesia
dizia que o Auri Verde Pavilhão
servia de mortalha na travessia
de africano negro nosso irmão

Também na voz divina da poesia
ele direcionou o seu escrever
contra a retrógrada monarquia
e os oligarcas donos do poder

Republicano de primeira hora
Castro Alves sabia acompanhar
todos os movimentos da aurora
dos tempos novos, do renovar

E cultivava a amizade singela
de grandes vultos desse país:
José de Alencar, Fagundes Varela
Rui Barbosa, Machado de Assis

Amigo de Álvares de Azevedo
um outro poeta intelectual
que também partindo bem cedo
se tornou num célebre imortal

Salas de Direito em Pernambuco
deram-lhe companheiros imortais
ilustres como Joaquim Nabuco
defensor das igualdades sociais

E por ter sido um poeta ousado
alguém da Gazeta Mercantil
disse ter encontrado um achado
na literatura do seu Brasil

Machado de Assis da Academia
aquele crítico exigente literal
dizia que Castro Alves da Bahia
era um poeta pra lá de original

Vento, esse teu menino poeta
que sabia bem se expressar
era como precursor profeta
um inquieto porta voz Popular

Se não se formou em advogado
isso pouco importa, tanto faz
Mas ele foi o mais respeitado
defensor das causas nacionais

Sua voz ousada, desafiadora
foi na sua brilhante geração
a voz profética arrebatadora
que mais se aproximou do povão

Voz que atravessa o infinito
e dá coragem nos dias atuais
aos poetas que lançam gritos
contra as injustiças imorais

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Castro Alves, Poeta Romântico e Libertário



Castro Alves
Poeta Romântico
e Libertário

II

Poeta que dizia nas cantorias
de peito aberto, com indignação
que o negro não era mercadoria
pra ser negociado em um balcão

Cantando pros inspirados ares
exaltou em autêntica louvação
os negros valentes dos palmares
anjos da lendária insurreição

Vento, meu camarada cancioneiro
sei que esta tua estrondosa voz
ja declamou o "Navio Negreiro"
pra ave dos oceanos, o Albatroz

Sei também que vistes injuriado
o Auri Verde pendão testemunhar
pobres irmãos negros açoitados
nos porões funestos em alto mar

Na linguagem divina da poesia
dizia que o Auri Verde Pavilhão
servia de mortalha na travessia
de africano negro nosso irmão

Também na voz divina da poesia
ele direcionou o seu escrever
contra a retrógrada monarquia
e os oligarcas donos do poder

Republicano de primeira hora
Castro Alves sabia acompanhar
todos os movimentos da aurora
dos tempos novos, do renovar

E cultivava a amizade singela
de grandes vultos desse país:
José de Alencar, Fagundes Varela
Rui Barbosa, Machado de Assis

Amigo de Álvares de Azevedo
um outro poeta intelectual
que também partindo bem cedo
se tornou num célebre imortal

Salas de Direito em Pernambuco
deram-lhe companheiros imortais
ilustres como Joaquim Nabuco
defensor das igualdades sociais

E por ter sido um poeta ousado
alguém da Gazeta Mercantil
disse ter encontrado um achado
na literatura do seu Brasil

Machado de Assis da Academia
um crítico exigente literal
dizia que Castro Alves da Bahia
era um poeta pra lá de original

Vento, esse teu menino poeta
que sabia bem se expressar
era como precursor profeta
um inquieto porta voz Popular

Se não se formou em advogado
isso pouco importa, tanto faz
Mas ele foi o mais respeitado
defensor das causas nacionais

Sua voz ousada, desafiadora
foi na sua brilhante geração
a voz profética arrebatadora
que mais se aproximou do povão

Voz que atravessa o infinito
e dá coragem nos dias atuais
aos poetas que lançam gritos
contra as injustiças imorais


Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os Amigos de Daniel, Três Irmãos Coragem



Os Amigos de Daniel
Três Irmãos Coragem

Mano Vento corajoso
Certo causo espantoso
Faz tempo que aconteceu
Pros rumos da Babilonia
Aquela nação medonha
O império caldeu

A maior das valentias
De todas as rebeldias
O mais puro destemor:
Três amigos companheiros
Peitam império estrangeiro
De Nabucodonosor

Esse caldeu soberano
Num ato louco, insano
Manda edificar
Mega estátua dourada
Para ser idolatrada
Por todo que ali passar

Quem ousar ser desobediente
Com certeza irá se vê
Sem processo, sumariamente
No inferno do forno ardente
Onde haverá de morrer

Diante dessa insanidade
A sociedade, autoridades
E a elite sacerdotal,
O mundo que lá passava
Adorava e reverenciava
A estátua colossal

Mas os amigos Sadraque
Abede-Nego e Mesaque
Não se curvam a essa lei.
Ao som da harpa e saltério
Desmoralizam o império
E o próprio insano rei

Com o Deus que nunca falha
Vão andar pela fornalha
Para o espanto geral
De príncipes, ministros
E sátrapas sinistros:
Toda a nata imperial.

E Hananias, Misael e Azarias,
Fiéis ao Deus do profeta Daniel
Rejeitaram toda sorte de iguarias
Luxúrias, abomináveis idolatrias
Simbolizadas na estátua, em babel

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara